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Redação de caderno feminino de jornal vaticano se demite por machismo

26/03/2019 09h17

Cidade do Vaticano, 26 mar (EFE).- A diretora do caderno feminino do jornal vaticano "L'Osservatore Romano", Lucetta Scaraffia, e toda a equipe editorial se demitiram após denunciarem que estão sendo submetidas a um controle por parte de homens.

Os profissionais do "Donne Chiesa Mondo" (Mulheres, Igreja e Mundo), caderno distribuído mensalmente com o jornal do Vaticano, escreveram uma carta ao papa, enquanto Scaraffia publicará um editorial no próximo número de 1 de abril, que será o último e no qual explicará os motivos deste gesto, segundo ambos documentos aos quais a Agência Efe teve acesso.

Esta revista tinha publicado em suas edições passadas tanto os abusos sexuais e de poder por parte dos religiosos às freiras, assim como os maus-tratos rumo às religiosas, relegadas a "servintes" do clero masculino.

"Com este número a redação interrompe, depois de sete anos, a publicação de "Mulheres, Igreja e Mundo". De fato, notamos que já não há condições para continuar a nossa parceria com 'L'Osservatore Romano'", afirmou Scaraffia.

A diretora da revista mensal denunciou que a linha editorial "não encontrou o apoio da nova direção do L'Osservatore Romano'" e há uma política de escolha de colaboradores que asseguram obediência e renunciem a qualquer possibilidade de abrir um verdadeiro diálogo, livre e valente".

Scaraffia explicou à EFE que na sua decisão pesam todas as motivações que escreveu no editorial, assim como confirmou uma tentativa passada do diretor do "L'Osservatore Romano", Andrea Monda, de querer dirigir também o caderno.

Na carta, as redatoras explicaram ao papa Francisco "que jogamos a toalha porque nos sentimos rodeadas por um clima de desconfiança e deslegitimação progressiva, desde um olhar no qual não sentimos estima e crédito para seguir com nossa colaboração".

Esta situação acontece depois das mudanças na comunicação do Vaticano como as saídas dos porta-vozes vaticanos, Greg Burke e Paloma García Ovejero, após a chegada do novo governador regional do Dicastério da Comunicação, Paolo Ruffini.

Além disso, ocorreu a substituição do diretor do "L'Osservatore Romano", Giovanni Maria Vian, que tinha lançado e apoiado o projeto do caderno feminino, pelo escritor e professor de religião Andrea Monda.

Monda afirmou que "de nenhuma maneira" selecionou "alguém, homem ou mulher, com o critério de obediência" e que sempre evitou "interferir no caderno mensal", em comunicado enviado pelo escritório de imprensa do Vaticano. EFE