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Kenneth toca solo em Moçambique com chuvas mais intensas que o ciclone Idai

Nour Hemici / WFP / AFP
Um novo ciclone, chamado Kenneth, tocou solo na noite de quinta-feira, no norte de Moçambique Imagem: Nour Hemici / WFP / AFP

2019-04-26T06:51:00

26/04/2019 06h51

Um novo ciclone, chamado Kenneth, tocou solo na noite de quinta-feira, no norte de Moçambique, na província de Cabo Delgado, com ventos de até 220 km/h, o que equivale a um furacão de categoria 4 na escala Saffir-Simpson, e deixará nos próximos dez dias o dobro de chuvas das que foram originadas pelo Idai, no mês passado, de acordo com a ONU.

"Espera-se trazer até 600 milímetros de chuva nesta área nos próximos 10 dias, o dobro do mesmo período após a passagem do ciclone Idai no mês passado", informou hoje em comunicado, o porta-voz do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA), Herve Verhoosel.

Cerca de 700 mil pessoas estão em risco no norte do país, de acordo com informações da Agência do Governo de Moçambique para a Gestão de Desastres Naturais (INGC), que tem tentado nos últimos dias evacuar o maior número possível de pessoas desta área.

"Temos mais de 36 mil famílias em áreas de risco que iniciaram o processo de recolocação nas escolas (considerados refúgios seguros) na quarta-feira", disse a diretora-geral da INGC, Augusta Maita.

Parte da província de Cabo Delgado está sem eletricidade desde ontem, devido à queda de árvores que estragaram a infraestrutura elétrica, mas também porque em alguns casos as empresas decidiram desconectar o sistema como medida preventiva.

Kenneth tocou solo na cidade de Pemba, capital da província, segundo informou o Escritório da ONU para a Redução do Risco de Desastres (UNISDR, sigla em inglês), com ventos de até 220 km/h e categoria 4 de uma escala de 5.

Espera-se que cause inundações de até 5 metros, segundo a própria agência, embora a intensidade tenha caído hoje, enquanto avança para o sul do país.

Kenneth chega ao final da estação chuvosa do país, quando os níveis dos rios e represas já estão altos, então espera-se que com estas chuvas alcancem seu nível máximo na próxima segunda-feira, segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

O risco de inundações e deslizamentos de terra é alto.

O ciclone passou na quarta-feira pelas Ilhas Comores, onde causou três mortes e deixou cerca de 20 feridos e sérios danos materiais.

Tanto Comores como a vizinha Tanzânia e Malawi estão em alerta diante da possibilidade de chuvas por conta deste novo fenômeno meteorológico.

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