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Países da UE condenam na ONU demolição de casas palestinas por Israel

23/07/2019 17h08

Nações Unidas, 23 jul (EFE).- Os países da União Europeia no Conselho de Segurança da ONU condenaram "energicamente" nesta terça-feira a demolição por parte de Israel de edifícios palestinos no distrito de Wadi al Hummus, em Jerusalém.

Reino Unido, Bélgica, França, Alemanha, Polônia e Estônia - que em janeiro se tornará membro temporário do Conselho de Segurança - formalizaram esta condenação em comunicado conjunto que leram após a conclusão de uma reunião do principal órgão da ONU para discutir a situação na Palestina e em Israel.

"Estamos seriamente preocupados com a contínua demolição de propriedade palestina por parte das autoridades israelenses", declarou a embaixadora do Reino Unido na ONU, Karen Pierce, que ressaltou que "a demolição em territórios ocupados é contrária à lei humanitária internacional e contrária às resoluções do Conselho de Segurança".

Além disso, destacou que esta atuação é particularmente reprovável porque afetou edifícios situados em áreas "sob a jurisdição da Autoridade Nacional Palestina, em conformidade com os Acordos de Oslo", razão pela qual "constitui uma violação destes acordos e um perigoso precedente que põe diretamente em perigo a solução de dois Estados".

Israel iniciou na segunda-feira a demolição de mais de 10 edifícios com 70 apartamentos em uma área do bairro de Sur Baher em Jerusalém Oriental, que não foi anexado por Israel em 1967 e ficou separado pelo muro na região cisjordaniana, sob controle parcial da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

O embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, alegou aos meios de comunicação que a demolição responde a razões de segurança, além de que estas construções não contavam com permissão.

"Nós acreditamos na lei e na ordem. Se você constrói sem permissão, sua casa não será mantida, isso é o que acontece com as casas dos judeus e as casas dos árabes", comentou Danon, que em seu discurso na ONU acusou o Irã de proporcionar armas ao grupo xiita libanês Hezbollah através da Síria e do porto de Beirute.

"O porto de Beirute se transformou no porto do Hezbollah", disse Danon, que em sua fala diante do Conselho de Segurança não fez referências às condenações das demolições de edifícios palestinos.

Segundo a ONG israelense Ir Amim, durante este primeiro semestre Israel demoliu em Jerusalém Oriental um total de 141 unidades - 63 casas e 78 estruturas não residenciais como lojas -, frente às 113 derrubadas no mesmo período de 2018.

A Ir Amim assegura que os residentes afetados na região de Wadi al Hummus/Sur Baher construíram com autorização da ANP nas Áreas A - sob controle palestino - e B - sob controle parcial palestino -, mas uma ordem militar israelense de 2011 proíbe construções dentro de um perímetro de 250 metros do muro de separação israelense. EFE

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