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Com calma e debaixo de chuva, manifestantes desafiam autoridades em Hong Kong

18/08/2019 13h06

Shirley Lau.

Hong Kong, 18 ago (EFE).- De maneira organizada e pacífica, dezenas de milhares de manifestantes realizaram uma passeata por Hong Kong neste domingo, um protesto que a polícia tinha autorizado apenas como concentração no Victoria Park, o parque maior da cidade, mas que transcorreu sem incidentes.

A onda de manifestantes começou a se locomover às 14h (horário local; 3h em Brasília) debaixo de guarda-chuvas para se proteger da água que caía na região administrativa especial e lotaram avenidas e ruas adjacentes, sem um destino claro.

Por volta das 18h (7h em Brasília), a polícia se mobilizou em vários pontos da cidade, mas até às 21h não havia nenhuma notícia sobre confrontos.

A manifestação de hoje, que encerra uma semana turbulenta em Hong Kong (com cancelamentos de diversos de voos por causa dos protestos no próprio aeroporto e manobras militares chinesas do outro lado da fronteira), ocorreu sob grande monitoramento, após circularem rumores de que haveria chineses da parte continental do país infiltrados com o objetivo de criar problemas.

Também existia o receio de uma possível resposta violenta por parte da polícia. Um canal de televisão local informou que dois veículos com canhões d'água estavam posicionados na região dos protestos.

Inclusive, a polícia foi a protagonista do lema da manifestação, que buscava "Erradicar o caos policial". Os manifestantes criticaram com dureza as ações policiais dos últimos meses para dissolver as multidões.

As operações antidistúrbios deixaram centenas de feridos entre os civis, enquanto, segundo a polícia, cerca ce 180 agentes ficaram feridos nos confrontos.

Um dos líderes da Frente Civil de Direitos Humanos, Wong Yik-mo, criticou durante a manifestação as atuações da polícia e o suposto posicionamento da corporação contra os manifestantes em Hong Kong.

"A Associação de Jovens Oficiais de Polícia e algum deputado pró-Pequim chamaram os manifestantes de 'baratas' várias vezes. Isso traz a lembrança dolorosa imagens de genocídio", disse.

Durante o genocídio de Ruanda, em 1994, quando quase um milhão de pessoas morreram massacradas em três meses, os hutus mais radicais chamavam os tutsis de "baratas".

"Pouco a pouco, a polícia de Hong Kong está destruindo a imagem internacional de uma Hong Kong civilizada", afirmou Wong.

Horas antes, o governo de Hong Kong enviou um comunicado à imprensa no qual lamentava que o lema da manifestação tivesse a polícia como alvo.

Diante da passeata em massa, não autorizada pelas autoridades, a polícia foi obrigada a interditar várias ruas. Os manifestantes se arriscaram assim a enfrentar acusações de aglomeração ilegal, que podem acarretar até cinco anos de prisão.

Este é o 11º fim de semana consecutivo de manifestações em Hong Kong. As manifestações começaram no início de junho, contra um polêmico projeto de lei de extradição que, segundo os opositores, poderia permitir que críticos ao regime comunista fossem levados à China para serem julgados sem garantias de direitos.

Pequim alega que por trás dos protestos existe uma "mão sombria", e com frequência aponta os Estados Unidos como responsáveis. No entanto, embora o governo de Hong Kong tenha suspendido a tramitação do polêmico texto, os protestos derivaram para reivindicações mais amplas sobre os mecanismos democráticos da região.

Sob a fórmula "um país, dois sistemas", Pequim se comprometeu a manter a autonomia de Hong Kong e a respeitar uma série de liberdades não concedidas aos cidadãos da China continental até 2047, após recuperar a soberania do território de mãos britânicas em 1997. EFE

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