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Netanyahu fracassa em formar governo pela 2ª vez, e rival Gantz terá chance

21/10/2019 18h04

Ana Cárdenes.

Jerusalém, 21 out (EFE).- No dia em que completa 70 anos, o primeiro-ministro interino de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou ter informado ao presidente Reuven Rivlin que não conseguiu formar o novo governo do país, quatro meses depois de ter fracassado na primeira tentativa de cumprir a missão após as eleições de setembro, e com isso seu maior rival nas urnas, o centrista Benny Gantz, receberá a chance de completar a difícil tarefa.

Em discurso divulgado nas redes sociais, Netanyahu, no poder há dez anos, afirmou que trabalhou incansavelmente para formar o governo e culpou Gantz pelo fiasco.

"Nas últimas semanas, fiz todo o possível para levar Benny Gantz à mesa de negociações. Infelizmente, simplesmente ele se negou várias vezes", afirmou o premiê interino.

O partido de Netanyahu, o conservador Likud, apresentou várias propostas ao partido de Gantz, o Azul e Branco. Mas todas tinham como condição que o general e ex-comandante do Estado-Maior de Israel, que foi o mais votado no pleito de setembro, aceitasse dividir o poder não só com Netanyahu, mas com todos os seus aliados frequentes, os partidos de direita e os ultrarreligiosos.

A imensa maioria dos analistas políticos locais apontava desde então a impossibilidade de que Gantz aceitasse os termos de um Likud que havia assumido o compromisso de manter essa base aliada, que alguns casos tem postura diametralmente oposta ao programa do Azul e Branco em questões importantes.

Gantz, recém-chegado à política, terá agora uma oportunidade de tentar formar o governo e se tornar o novo primeiro-ministro. O presidente israelense já confirmou que lhe dará um prazo de 28 dias para cumprir a missão.

Caso ele não consiga, Rivlin pode repassar a tarefa ao Knesset (parlamento do país), que poderia propor e aprovar qualquer deputado que contasse com apoio suficiente. Entretanto, o mais provável é que o país tenha uma nova eleição geral, que seria a terceira em um ano.

"O tempo para devaneios está acabando, e chegou a hora das ações. O Azul e Branco está decidido a formar um governo de união liberal liderado por Benny Gantz, em quem o povo de Israel votou há um mês", disse o partido em comunicado.

Nem o Azul e Branco ou o Likud têm cadeiras suficientes no parlamento para governar com seus aliados naturais. A única opção viável era um pacto entre elas. Rivlin sugeriu a alternância no poder entre as duas legendas, mas em nenhum momento elas estiveram perto de um acordo.

Todos os partidos representados no Knesset poderão nos próximos três dias fazer consultas com o presidente, se o desejarem, para transmitir a posição sobre um possível governo liderado por Gantz.

Será especialmente importante saber como se posicionará o líder da legenda direitista e laica Israel Nosso Lar, Avigdor Lieberman, que até agora reiterou a decisão de só apoiar um governo de união nacional.

Como tem oito cadeiras no parlamento, o partido, se fechar um acordo com Gantz, representaria um grande impulso para que o general consiga formar uma coalizão - no entanto, ainda seria necessário ganhar o apoio dos partidos árabes, tradicionalmente excluídos de pactos de governo.

Por sinal, esta é a maior acusação que Netanyahu faz a seu rival: que ele pretenda governar com o apoio da população árabe-israelense, que representa 20% da população, mas em termos políticos é geralmente isolada.

Recentemente, ele postou uma mensagem no Facebook na qual dizia que o único governo que deveria ser formado é um que seja "fundamentado na cooperação real entre todos os partidos que acreditam no Estado de Israel como um estado judeu e democrático".

"Gantz rejeita a união. Gantz, (Yair) Lapid (vice-líder da chapa) e Lieberman rejeitam se comprometer a não formar um governo minoritário que dependa do apoio da (legenda) Lista Unida árabe", disse Netanyahu em nota na qual lembrava que o deputado árabe Ahmed Tibi foi assessor do histórico líder palestino Yasser Arafat e que não reconhece o movimento islamita palestino Hamas como organização terrorista.

Israel, segundo Netanyahu, "não pode lutar contra o terrorismo, nem contra o Irã ou (a milícia xiita libanesa) o Hezbollah se seu governo depender de apoio árabe". Além disso, ele ressaltou que essa manobra política representaria um grave risco para a segurança do país.

Netanyahu tem uma nova oportunidade para impedir que isso aconteça: para isso, terá que aceitar entrar em um governo de unidade. Mas, desta vez, com Gantz à frente das negociações. EFE

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