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Guaidó considera "inverossímil" negociação com governo de Maduro

11/01/2020 19h57

Caracas, 11 jan (EFE).- O líder opositor Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino da Venezuela, disse neste sábado que considera "inverossímil" uma negociação com o governo do presidente Nicolás Maduro, embora uma delegação da Noruega - que já intermediou diálogos anteriores - esteja no país.

"No fim das contas, não é que não queiramos uma negociação, é que a vemos como inverossímil porque estes senhores (do governo) já fizeram piada de nós outras vezes", comentou em reunião em Caracas.

A própria equipe de comunicação de Guaidó informou na sexta-feira passada sobre a visita da delegação norueguesa, embora na ocasião tenha se recusado a reabrir um processo de diálogo com o governo de Maduro e se recusado a se reunir com a comissão porque acredita que o governo "impediu qualquer solução negociada".

Várias possibilidades sobre a mesa

Guaidó explicou que para os cidadãos é "evidente" que existem várias possibilidades de acabar com a chamada revolução bolivariana, no poder desde 1999, e ressaltou que o importante é "sair disso".

Segundo o líder opositor, se for garantido "que amanhã isto acabou", ele aceitaria. Para Guaidó, o problema não é querer uma negociação, mas não confiar nela.

Mais tarde, quando perguntado por jornalistas, disse que "os mecanismos para superar a tragédia devem ter condições: respeitando o povo e respeitando a palavra".

"Fomos muito claros, neste momento não há condições para nenhum tipo de farsa", afirmou em alusão a um possível diálogo.

Não houve contato

Questionado se "houve contato direto" com o governo, respondeu com um categórico "não".

O Centro Nacional de Comunicação (CNC) de Guaidó assegurou na sexta-feira que "o processo (de negociação) de Oslo-Barbados foi encerrado" e que, portanto, não vão "participar de nenhuma reunião".

Guaidó, que é reconhecido por mais de 50 governos como presidente interino da Venezuela, anunciou em setembro passado a saída do processo intermediado pela Noruega, um mês e meio após o governo de Maduro fazer o mesmo.

Precedentes pouco otimistas

Maduro suspendeu as negociações em Barbados em agosto porque Guaidó "celebra, promove e apoia" as sanções do governo dos Estados Unidos contra funcionários do governo e empresas venezuelanas.

No início de setembro, Maduro impôs uma condição para o reinício das negociações: que Guaidó voltasse atrás na suposta "intenção de entregar" o Essequibo, território disputado por Guiana e Venezuela.

Entre setembro de 2017 e janeiro de 2018, governo e oposição se sentaram à mesa de diálogo na República Dominicana, mas as conversas não deram frutos e Maduro acabou convocando eleições que não foram reconhecidas por grande parte da comunidade internacional. EFE

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