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EUA pedem formação de governo de transição e novas eleições na Venezuela

28.jul.2019 - Líder venezuelano, Nicolás Maduro, em discurso durante o Foro de São Paulo no Palácio Presidencial de Miraflores - Federico Parra/AFP
28.jul.2019 - Líder venezuelano, Nicolás Maduro, em discurso durante o Foro de São Paulo no Palácio Presidencial de Miraflores Imagem: Federico Parra/AFP

09/01/2020 18h44

O chefe da diplomacia norte-americana, Mike Pompeo, incitou nesta quinta-feira (9) à formação de um governo de transição na Venezuela. O representante de Washington pediu mais diálogo no país, que atravessa há um ano uma crise política inédita. Os Estados Unidos, que consideram a reeleição do presidente Nicolás Maduro uma fraude, sugerem a realização de um novo pleito este ano.

"Uma rápida transição negociada para a democracia é o caminho mais eficaz e sustentável para a paz e a prosperidade na Venezuela", disse Pompeo em um comunicado. "As negociações poderiam oferecer uma saída de crise sob forma de um governo de transição que organizaria eleições livres e justas", completou o chefe da diplomacia.

As declarações mostram uma mudança do tom de Washington que, pela primeira vez, não mencionou uma saída de Maduro do poder como condição para o início das negociações. No entanto, o comunicado dos Estados Unidos não cita o atual presidente como possível ator das discussões.

O ministro venezuelano das Relações Exteriores, Jorge Arreaza, criticou as declarações de Washington e acusou o governo norte-americano de ingerência.

A situação política da Venezuela se degradou ainda mais nos últimos dias em razão da disputa pela direção do Parlamento. Juan Guaidó, opositor de Maduro que se autoproclamou presidente interino do país, brigou pelo cargo com o deputado Luis Parra, um candidato apoiado pelo governo.

Guaidó assumiu o cargo após uma sessão marcada por muita confusão. Ele chegou a ser barrado na porta do prédio e teve que pular um muro para entrar, enquanto o rival se autoproclamava vencedor.

União Europeia ameaça impor novas sanções

O episódio suscitou críticas da União Europeia, que apoia Guaidó. O chefe da diplomacia do bloco, Josep Borrell, disse que está disposto a impor sanções contra os autores de "atos de intimidação" visando parlamentares da oposição.

"As tentativas de bloquear à força um processo de eleição legítimo no dia 5 de janeiro e a utilização da força contra seu presidente e vários parlamentares para impedir o acesso à Assembleia são totalmente inaceitáveis", afirmou Borell em um comunicado.

"A UE está pronta para começar a trabalhar na aplicação de medidas visando as pessoas envolvidas", acrescentou o diplomata, que insistiu no apoio do bloco a Guaidó e contestou a tentativa de tomada da presidência da Assembleia por Barra.

Segundo Bruxelas, o rival chavista "não respeitou os procedimentos legais nem os princípios constitucionais democráticos".

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