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15 dias

Ex-presidentes dizem que América Latina carece de união contra crise

25/09/2021 02h42

Nova York, 24 set (EFE).- Ex-presidentes de alguns países latino-americanos destacaram nesta sexta-feira, durante o segundo dia do Fórum Global sobre América e Caribe, a falta de união entre os líderes da região e pediram uma maior coesão e independência para enfrentar os problemas deixados pela covid-19, como sociais, econômicos, políticos e o atraso no acesso às vacinas.

"Os presidentes têm pouca comunicação entre eles, têm divisões ideológicas tão profundas que tornam difícil a compreensão mútua", disse Ricardo Lagos, ex-presidente do Chile.

No evento, Lagos e os ex-presidentes Ernesto Samper (Colômbia) e Laura Chinchilla (Costa Rica) participaram do painel Solidariedade e Cooperação Regional, no qual manifestaram suas opiniões sobre como enfrentar os problemas que a região vive após a pandemia.

O fórum, concluído hoje, foi organizado pela Fundação Global Democracia e Desenvolvimento, criado e presidido pelo ex-presidente da República Dominicana Leonel Fernández.

Lagos argumentou que os atuais líderes deveriam pelo menos concordar sobre a questão das vacinas para serem ouvidos como um só voz representando a América Latina perante a Organização Mundial da Saúde (OMS).

"Devemos ser capazes de demonstrar solidariedade, mesmo nesta questão". Tenho certeza de que eles nos ouviriam um pouco mais", enfatizou Lagos, que acredita que empregos - particularmente para as mulheres, as pessoas mais afetadas pela pandemia - e investimentos de qualidade são o que a região precisa agora para sair da crise causada pela covid-19.

Lagos também falou sobre união ao citar a próxima reunião do G20, grupo do qual Brasil, México e Argentina são membros.

"Gostaria de saber se estes três países estão disponíveis para serem porta-vozes de uma América Latina que talvez possa falar com uma só voz, e o G20 está bem próximo. Seria pedir demais que os presidentes falem uns com os outros?", questionou.

Por sua vez, Samper afirmou que, para que uma recuperação ocorra, terá que ser feito um esforço que poderá drenar de 12% a 15% do Produto Interno Bruto (PIB) dos países, assim como reconstruir o tecido social, e sobre o mercado de empregos ele mencionou que 56% dos trabalhadores são informais.

Samper criticou a falta de resposta do mundo ao desafio da covid-19, classificando o problema como "protecionismo sanitário".

Ele disse que os países com maior poder econômico se dedicaram a resolver seus próprios problemas e estabeleceram limitações às exportações, o que se transformou em "um isolamento quase frontal" de vacinas para os países em desenvolvimento.

"E na América Latina, com 8% da população, ficamos com 30% dos mortos", ressaltou, acrescentando que concorda com Lagos que as vacinas deveriam ser declaradas um bem universal, "porque as empresas farmacêuticas ganharam o jogo".

"Temos que buscar maneiras criativas de desenvolver laços mínimos de solidariedade", enfatizou Samper, que criticou a falta de ajuda financeira para a região.

Durante o fórum, ex-presidentes e representantes de organizações internacionais analisaram os problemas enfrentados pela América Latina e o Caribe para avançar após a crise provocada pela pandemia.

A questão política também esteve presente ontem, no primeiro dia do fórum. Especialistas de diferentes países advertiram que há uma ameaça à democracia na América Latina, onde veem uma forte tendência para o surgimento de governos populistas e autocráticos.

Entre os especialistas, Daniel Zovatto, diretor regional para as Américas e o Caribe do Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral (IDEA Internacional), disse que a região está passando por um momento de profunda mudança política, com vários de seus países sofrendo erosão e deterioração democrática e a ameaça do surgimento de novos regimes autoritários.