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4 meses

"Dialogar em meio ao terrorismo legitima a violência", afirma Duque

16/01/2022 23h20

Galápagos (Equador), 16 jan (EFE).- Dialogar sobre paz em meio ao "terrorismo" legitima a violência, e a impunidade é um "prêmio aos bandidos", disse à Agência Efe o presidente da Colômbia, Iván Duque, ao justificar a sua decisão de romper o diálogo com o Exército de Libertação Nacional (ELN) no início do mandato, que terminará em 2022.

"Nos 17 meses em que estiveram à mesa com o governo anterior, mataram mais de 100 pessoas, realizaram mais de 400 atos terroristas e sequestraram mais de dez cidadãos. Isto não é mentira. E dialogar em meio a estes atos bárbaros é legitimar a violência como método de pressão sobre o Estado", disse ao fazer um balando da decisão de janeiro de 2019.

Dessa forma, Duque pôs fim ao diálogo iniciado pelo seu antecessor, Juan Manuel Santos, para tentar pacificar o país após décadas de conflito interno e após um acordo imperfeito com as FARC, que recentemente completou cinco anos.

O atual mandatário colombiano garante que nunca "fechou as portas para o ELN", mas que o grupo fechou ao não aceitar as condições para "uma aproximação crível", como "libertar os reféns e pôr fim às atividades criminosas".

"E como é que eles responderam? Com o terrorismo! Por isso os entregamos com todas as nossas forças e matámos 'Uriel', 'Fabián'...", explicou.

Oito meses antes de deixar a presidência, Duque declarou que "se quiserem uma aproximação de paz que parta da base da suspensão dos atos criminosos e da libertação dos reféns, o governo terá o prazer de ter uma abordagem a partir desse momento".

"(Se este não for o caso) serão combatidos com toda a força do Estado, pois as duas coisas não podem ir juntas, pelo menos enquanto eu for presidente", comentou Duque.

O presidente destacou que o seu governo foi o primeiro "a extraditar membros do ELN aos EUA por tráfico de drogas", e o que fez "uma reforma constitucional para que nem o narcotráfico nem os sequestros sejam crimes relacionados com o crime político e, portanto, nunca mais possam ser anistiados", o que "também se aplica aos bandidos do ELN".

"Quero dizer muito claramente: se o ELN quiser continuar com atividades criminosas, não negociarão comigo, porque eu não negocio com terroristas e bandidos. Paz com impunidade é continuar a recompensar os bandidos, só gera mais violência", concluiu.

As negociações com o ELN foram interrompidas após um processo de diálogo inicial no Equador, depois transferido para Cuba, após uma decisão inesperada em abril de 2018 do então presidente Lenín Moreno, após uma série de ataques na fronteira com a Colômbia e do crescente tráfico de drogas. EFE

elb/vnm