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Conteúdo publicado há
1 mês

Colômbia é única "parceira global" da Otan na América Latina

27/06/2022 14h39

Jaime Ortega Carrascal.

Bogotá, 27 jun (EFE).- A Otan, que realizará reunião de cúpula nesta semana, em Madri, na Espanha, tem um pé na América do Sul faz quatro anos, a partir da inclusão da Colômbia como primeiro "parceiro global" latino-americano da Aliança do Atlântico Norte.

Essa aproximação aconteceu durante o governo de Juan Manuel Santos, quem, em 31 de maio de 2018, dois meses antes de deixar a presidência, oficializou em Bruxelas, junto ao secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, o acordo de cooperação que converteu o país em "parceiro global" da organização.

Até hoje, dessa forma, a Colômbia é o único país da América Latina a ter obtido este status.

No fim dos anos 1990, o então presidente da Argentina Carlos Menem, tentou a incorporação do país na Otan, o que ampliaria para o sul a aliança, mas não houve avanço, principalmente, pela oposição do Reino Unido, sócio-fundador da organização, que tem litígio com o país sul-americano pelas Ilhas Malvinas.

No mundo, atualmente, também contam com o status de sócio global, a Austrália, a Coreia do Sul, o Japão e a Nova Zelândia, que, assim como a Colômbia, estarão representados em Madri, na cúpula da Otan.

PAZ E COOPERAÇÃO.

O acordo de cooperação com a Otan foi possível depois da assinatura de tratado de paz com as Farc, em novembro de 2016, que colocou fim ao conflito de mais de meio século com a guerrilha, o que permitiu ao governo colombiano fazer mudanças nas prioridades de defesa.

Em termos práticos, o status de "parceiro global" da Otan permite ao Executivo de Bogotá a aproximar a cooperação com a aliança em assuntos como a luta contra o crime transnacional, a implantação de uma política de maior transparência nas compras militares, padronizar processos internos e capacitação das Forças Armadas em algumas áreas, como a retirada de minas terrestres e a redução dos efeitos da mudança climática.

Como parte dessa cooperação, engenheiros do exército da Colômbia, a pedido da Otan, capacitaram militares da Ucrânia em "doutrina, técnicas e táticas" da retirada humanitária de minas, segundo anunciou, no mês passado, o ministro da Defesa do país sul-americano, Diego Molano.

ALIADO EXTRA DOS EUA.

Além do acordo de "parceiro global, a Colômbia foi declarada, em maio, como aliado militar estratégico dos Estados Unidos, fora da Otan, o que permitirá aprofundar com Washington a cooperação na defesa, incluindo o acesso a material militar.

O presidente americano, Joe Biden, confirmou o status quando recebeu o presidente colombiano, Iván Duque, em março deste ano. Em maio, por meio de uma carta enviada ao Congresso, o chefe da Casa Branca formalizou a parceria, destancando "a importância da relação entre EUA e Colômbia, e das cruciais contribuições da Colômbia à segurança regional e internacional".

O status futuro da Colômbia com relação à Otan, é uma das questões que deverão ser respondidas pelo presidente eleito do país sul-americano, Gustavo Petro, que iniciará mandato no dia 7 de agosto deste ano.

A Otan significa Aliança do Atlântico Norte. Nós somos do Caribe e do Pacífico, mas muito latino-americano", se manifestou Petro, ainda em 2013, quase uma década antes de chegar ao poder.

Durante a campanha eleitoral, o futuro presidente não se referiu explicitamente à Otan, quando falou sobre a guerra da Ucrânia. EFE