Em revés para a Embraer e Mitsubishi, pilotos da Delta se opõem a aviões regionais maiores, dizem fontes

Por Allison Lampert

MONTREAL (Reuters) - Pilotos da Delta Air Lines devem manter as regras existentes em seus contratos de trabalho que impedem que a segunda maior companhia dos Estados Unidos opere com modelos acima de certo peso em rotas regionais, em um revés para a Embraer e a Mitsubishi Heavy Industries, cujos modelos mais recentes excedem este limite.

O novo contrato de trabalho dos pilotos manterá o que é conhecido como "cláusula de escopo", que proíbe aviões mais pesados que 86 mil libras e com mais de 76 assentos voem em rotas regionais, disseram duas fontes familiarizadas com o assunto à Reuters.

Os resultados da votação sobre o novo contrato devem sair em 1º de dezembro.

A cláusula protege pilotos de grandes companhias aéreas, uma vez que impede que a empresa use aviões maiores em rotas regionais terceirizadas, que geralmente pagam pior e oferecem condições de trabalho inferiores.

Quando as fabricantes de aviões como a Embraer e a japonesa Mitsubishi projetaram seus mais recentes aviões regionais, com motores mais pesados, porém com maior eficiência no consumo de combustível, elas esperavam que a cláusula de escopo fosse afrouxada, mas os sindicatos conseguiram mantê-la.

A oposição dos pilotos ao relaxamento da cláusula de escopo é um problema para o avião regional da Embraer E175-E2, que deve ser entregue em 2020 e o avião MRJ90, da Mitsubishi, com previsão de entrega em meados de 2018. Ambos excedem o limite de peso.

A UBS cortou a recomendação sobre ações da Embraer para "venda" esta semana, após ter retomado a cobertura da empresa. O banco suíço citou riscos de uma reviravolta na cláusula de escopo da American, Delta e United. O analista Darryl Genovesi disse em nota a clientes que era improvável que as empresas voassem com o E2 somente nas rotas principais devido a altos custos.

MAIS EFICIENTE

A companhia aérea regional SkyWest, que opera voos para a Delta, entre outras companhias, é cliente lançadora do E175-E2, com 100 encomendas firmes.

Procurada, a Embraer afirmou que o modelo atual do E175 detém participação de 84 por cento no mercado de aeronaves de 70 lugares e que vai continuar vendendo o avião além de 2020 se a cláusula de escopo não for alterada.

Entretanto, a companhia afirmou que "acredita que as cláusulas vão ser flexibilizadas no futuro, conforme os preços dos combustíveis aumentam e as companhias aéreas buscam por produtos mais eficientes".

Representante da Mitsubishi não pode ser contatado para comentar o assunto fora do horário comercial no Japão.

Em setembro, a empresa japonesa afirmou que estava trabalhando com clientes para resolver as questões de peso do MRJ90, que é cerca de 600 quilos mais pesado do que a regra permite atualmente.

As reclamações dos sindicatos de pilotos dos EUA, porém, podem beneficiar a Bombardier, que vê oportunidade para ampliar vendas do CRJ-900, modelo que atualmente está dentro dos limites de peso, disse uma das fontes.

O presidente-executivo da Mesa Air Group, Jonathan Ornstein, afirmou que a empresa não vai comprar novos aviões que não estejam enquadrados pelas cláusulas de escopo já que não acredita que os atuais limites serão alterados no futuro próximo.

Em vez disso, a companhia aérea regional vai comprar mais modelos da geração atual do E175, junto com unidades adicionais do CRJ900 para substituir 38 jatos regionais que devem ser retirados de sua frota nos próximos quatro anos.

"Eu não creio que haja qualquer chance dos pilotos alterarem os requerimentos de peso", disse Ornstein.

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