BC vê meta de inflação cumprida em 2016 em meio à atividade mais fraca

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central passou a ver inflação dentro da meta neste ano, ao mesmo tempo em que piorou sua projeção de crescimento econômico tanto em 2016 quanto em 2017, reiterando que o ritmo de desinflação nas suas projeções pode se intensificar diante de uma retomada mais lenta na atividade, mantendo aberto o espaço para corte maior nos juros.

No Relatório Trimestral de Inflação divulgado nesta quinta-feira, o BC previu alta de 6,5 por cento do IPCA neste ano pelo cenário de referência, abaixo dos 6,6 por cento de antes. Para 2017 e 2018, as projeções não mudaram, com alta de 4,4 e 3,6 por cento, respectivamente.

A meta de inflação neste ano é de 4,5 por cento, com margem de dois pontos percentuais. Para 2017 e 2018, o centro do objetivo é o mesmo, mas com margem de tolerância de 1,5 ponto.

O BC também piorou sua perspectiva para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2017, com alta de 0,8 por cento, sobre 1,3 por cento antes. Para este ano, a perspectiva é de contração ligeiramente maior na atividade, de 3,4 por cento, contra 3,3 por cento até então.

O presidente do BC, Ilan Goldfajn, já havia pavimentado o caminho para cortes maiores da Selic em janeiro, próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), ao afirmar que a autoridade monetária estava sensível ao nível de atividade e que a ancoragem das expectativas é o que abria a porta para cortes nos juros básicos, hoje a 13,75 por cento ao ano.

O BC iniciou o afrouxamento monetário em meio à profunda recessão econômica com cortes de 0,25 ponto percentual em cada uma das últimas duas reuniões do Copom.

Embora as apostas majoritárias do mercado se concentrem em corte de 0,5 ponto percentual na Selic no próximo mês, alguns economistas veem espaço para uma tesourada de 0,75 ponto diante da combalida atividade, da evolução recente na ancoragem de expectativas de inflação e do processo de desinflação em curso, fatores que voltaram a ser mencionados pelo BC no relatório.

No documento, o BC ressaltou a importância da ancoragem ao sublinhar que este ambiente permite que o comitê se concentre em evitar efeitos secundários sobre a inflação caso haja mudança no cenário externo e consequente alteração em preços relativos.

Também disse que as expectativas ancoradas possibilitam que "siga um princípio que confere flexibilidade aos regimes de metas para a inflação e que se aplica ao Brasil".

"Essa flexibilidade permite que os custos de desinflação sejam levados em conta nas decisões de política monetária", prosseguiu.

O BC repetiu no relatório que a magnitude da flexibilização monetária e a intensificação do seu ritmo dependerão das projeções e expectativas de inflação e da evolução dos fatores de risco. Sobre a dinâmica da inflação, destacou que divulgações recentes indicam que o processo de desinflação pode estar se disseminando.

"Essa leitura advém dos sinais de que as estatísticas mais favoráveis decorrem de fatores que não apenas o processo de reversão dos preços de alimentos", afirmou o BC, acrescentando ser razoável esperar que uma atividade mais fraca leve a uma descompressão na inflação de serviços, em relação à qual vinha demonstrando cautela.

O posicionamento do BC veio na esteira de uma inflação de novembro mais baixa que o esperado, e após a divulgação do IPCA-15 de dezembro, na véspera, que também surpreendeu positivamente.

No relatório, o BC reiterou que o cenário fiscal está sendo levado em conta na sua política. Após o governo do presidente Michel Temer ter conseguido aprovar no Congresso Nacional a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita o crescimento dos gastos públicos, o BC avaliou que o passo representou "uma contribuição importante para a economia brasileira".

(Por Marcela Ayres; Edição de Patrícia Duarte)

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