Trump se encontra com Netanyahu e evita se comprometer com solução de dois Estados

Por Luke Baker e Steve Holland

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para reduzir as atividades de assentamento, mas evitou dar um apoio explícito à solução dos dois Estados para o conflito entre israelenses e palestinos, um antigo alicerce da política norte-americana para o Oriente Médio.

Os dois líderes se encontraram frente a frente pela primeira vez desde a vitória de Trump nas eleições presidenciais de 2016, ao mesmo tempo que os palestinos pedem para a Casa Branca não abandonar o objetivo de um Estado independente.

Falando durante uma entrevista conjunta à imprensa, Trump prometeu trabalhar para um acordo de paz entre israelenses e palestinos, mas afirmou que isso pede comprometimento de ambos os lados e que em última instância cabia às partes chegar a um acordo.

“Eu gostaria de ver você recuar nos assentamentos um pouquinho”, disse Trump para Netanyahu. O líder israelense de direita afirmou depois que os assentamentos judaicos não eram “o núcleo do conflito” e não se comprometeu a reduzir a construção deles.

Trump fez eco aos pedidos de Netanyahu para que os palestinos reconheçam Israel como um Estado judaico, algo que eles têm se recusado a fazer, e para parar com o incitamento contra israelenses.

Contudo, mesmo com Trump prometendo buscar a paz entre os dois lados, que não participam de negociações de fato desde 2014, ele não ofereceu nenhuma nova receita para desbloquear o processo de paz e conseguir um acordo.

Estabelecendo um tom íntimo para o encontro, Trump recebeu Netanyahu num tapete vermelho estendido na Casa Branca. Os dois líderes sorriram, se cumprimentaram e conversaram antes de entrarem acompanhados da primeira-dama norte-americana, Melania Trump, e da mulher de Netanyahu, Sara.

O futuro da proposta dos dois Estados, com a criação de uma Palestina para conviver pacificamente ao lado de Israel, era uma das perguntas mais esperadas.

Numa mudança em potencial, uma autoridade importante da Casa Branca disse na terça-feira que a paz não tinha necessariamente que envolver um Estado palestino, e Trump não tentaria ditar uma solução.

Trump pouco fez para esclarecer a sua posição. Dando uma resposta complicada à pergunta sobre o seu apoio ou não aos dois Estados, ele indicou que poderia seguir o que fosse decidido pelas duas partes.

"Estou considerando dois Estados e um Estado, e eu gosto daquela que as duas partes gostarem. Eu estou muito feliz com aquela que as duas partes gostarem”, disse ele.

“Eu posso viver com qualquer uma. Eu pensei por um tempo que parecia a dos dois Estados, parecia que poderia ser a mais fácil das duas, mas honestamente se Bibi e se os palestinos, se Israel e os palestinos, estão felizes, eu estou muito feliz com aquela que eles mais gostarem”, afirmou Trump, se referindo a Netanyahu pelo apelido.

Um recuo no apoio à solução dos dois Estados seria uma mudança de décadas de política norte-americana adotada por republicanos e democratas.

Netanyahu se comprometeu, sob condições, com o objetivo dos dois Estados em discurso em 2009 e tem reiterado em geral isso desde então. No entanto, ele também já falou de uma opção “estado menos”, sugerindo que ele poderia oferecer autonomia aos palestinos, dispositivos de um Estado, mas sem a soberania plena.

PALESTINOS ALARMADOS

Os palestinos reagiram com alarme à possibilidade de que Washington possa abandonar o apoio a uma nação palestina independente.

"Se o governo Trump rejeitar essa política, isso seria destruir as chances para a paz e minar os interesses, a posição e a credibilidade norte-americana no mundo”, afirmou Hanan Ashrawi, da Organização para a Libertação Palestina.

"Acomodar os elementos mais extremos e irresponsáveis em Israel e na Casa Branca não é maneira de fazer política externa responsável”, afirmou ela em comunicado.

Husam Zomlot, assessor do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, disse que eles não haviam recebido nenhuma indicação oficial de uma mudança dos EUA.

Para Netanyahu, o encontro com Trump é uma oportunidade de refazer os laços depois de uma relação difícil com o presidente Barack Obama.

(Reportagem adicional de Matt Spetalnick em Washington e Maayan Lubell e Jeffrey Heller em Jerusalém)

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