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Agências de inteligência dos EUA correm o risco de perder talentos em meio a preocupações com Trump

28/02/2017 19h46

Por Dustin Volz e Warren Strobel

WASHINGTON (Reuters) - A Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, a NSA, corre o risco de perder hackers e ciberespiões devido a uma reorganização tumultuada e se preocupa com a relação difícil entre a comunidade de inteligência e o presidente Donald Trump, segundo ex-autoridades e representantes atuais da agência e fontes da indústria de cibersegurança.

Executivos da área de cibersegurança disseram à Reuters que eles testemunhavam um aumento acentuado do número de agentes de inteligência norte-americanos e prestadores de serviço do governo buscando emprego no setor privado desde que Trump assumiu o poder em janeiro.

Um dos executivos, que pediu anonimato, se disse chocado pelo calibre dos possíveis recrutados. Eles estão vindo de várias agências de segurança e inteligência do governo, disseram executivos, e o interesse deles vem em parte das preocupações com o rumo das agências sob Trump.

Reter e recrutar pessoal talentoso se tornaram uma importante prioridade de segurança nacional nos últimos anos, uma vez que Rússia, China, Irã e outros países, além de grupos criminosos, têm aperfeiçoado as suas habilidades ofensivas nessa área. A NSA e outras agências de inteligência há muito têm dificuldades em impedir que os seus melhores funcionários partam para empregos de maior remuneração no Vale do Silício e em outros lugares.

O problema é especialmente acentuado na NSA, segundo funcionários atuais e antigos, devido a uma reorganização conhecida como NSA21 que começou no ano passado e busca fundir a escuta eletrônica da agência com operações internas de cibersegurança.

A reformulação de dois anos inclui ampliar partes da NSA que lidam com gerenciamento e recursos humanos e colocá-los no mesmo nível de pesquisa e engenharia. O objetivo é “garantir que estamos usando todos os nossos recursos para uma eficácia máxima para realizar a nossa missão”, disse Mike Rogers, diretor da NSA.

As mudanças incluem novas estruturas de gerenciamento que deixaram alguns funcionários de carreira incertos sobre suas missão e perspectivas. Antigos funcionários dizem que a reorganização fracassou em lidar com as preocupações de que a agência está ficando para trás na exploração das descobertas tecnológicas do setor privado.

Uma antiga autoridade da NSA disse que três representantes atuais lhe disseram que problemas orçamentários significam que há pouco recursos para promoções.

"A moral está baixa como eu nunca vi”, disse outra antiga autoridade da NSA.

Perguntado sobre o risco de perder talentos, Michael Aton, porta-voz da Casa Branca, disse que Trump havia buscado reassegurar a comunidade de inteligência ao visitar a sede da CIA no seu primeiro dia no cargo.