Mulher de político é suspeita de desviar R$ 98 milhões para comprar joias

A. Ananthalakshmi

Em Kuala Lumpur

  • Stephen Morrison/ Reuters

    O primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, e sua mulher Rosmah Mansor, em Bali

    O primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, e sua mulher Rosmah Mansor, em Bali

Quase US$ 30 milhões (cerca de R$ 98,5 milhões) em recursos desviados do 1Malaysia Development Berhad (1MDB), fundo estatal da Malásia envolvido em escândalos, foram usados para comprar joias para a mulher do primeiro-ministro, incluindo um diamante rosa de 22 quilates raro preso a um colar, de acordo com acusação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos em uma ação civil.

As denúncias apresentadas à Corte Distrital de Los Angeles na quinta-feira (15) não identificaram o premiê malaio, Najib Razak, ou sua mulher, Rosmah Mansor, pelo nome, mas disseram que as joias foram para a mulher da "Autoridade 1 da Malásia".

Fontes dos governos malaio e norte-americano já haviam confirmado que 'Autoridade 1 da Malásia' diz respeito a Najib.

Só o colar de diamante custou US$ 27,3 milhões (cerca de R$ 89,6 milhões), de acordo com as alegações mais recentes da ação civil iniciada em julho do ano passado.

As acusações irão dar mais munição para os rivais políticos de Najib, que criticam sua mulher com frequência por seus gastos extravagantes, e vêm em um momento delicado para o líder malaio, já que se esperava que ele convocasse uma eleição antecipada no final deste ano.

Um assessor de Rosmah não respondeu de imediato a pedidos de comentário. Em um comunicado emitido no início desta sexta-feira (16), o escritório do primeiro-ministro disse estar "preocupado pela menção desnecessária e gratuita de certas questões e indivíduos que só são relevantes para a manipulação e a interferência política doméstica". Najib vem negando continuamente qualquer irregularidade.

Um total de US$ 4,5 bilhões do 1MDB foram usados indevidamente, disse o Departamento de Justiça dos EUA na quinta-feira. O fundo foi criado por Najib em 2009 para incentivar o desenvolvimento econômico.

O Departamento está tentando apreender um total de cerca de US$ 1,7 bilhão em ativos que foram comprados com fundos indevidos, incluindo uma pintura de Picasso que foi dada ao ator Leonardo DiCaprio e os direitos de dois filmes de Hollywood.

Também na quinta-feira um porta-voz de DiCaprio disse que o ator iniciou os procedimentos para transferir a propriedade da obra ao governo dos EUA, tendo "iniciado a devolução" de presentes que recebeu de financistas ligados ao caso 1MDB em julho de 2016.

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