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Cuba concede visto à diplomata dos EUA que assumirá embaixada americana na ilha

O diplomata americano Philip Goldberg, em foto de julho de 2009 - Zainal Abd Halim/Reuters
O diplomata americano Philip Goldberg, em foto de julho de 2009 Imagem: Zainal Abd Halim/Reuters

Sarah Marsh e Arshad Mohammed

Havana/Washington

07/02/2018 19h10

Cuba deu um visto a um diplomata norte-americano sênior que irá liderar a embaixada dos EUA em Havana, disse à Reuters um funcionário do governo americano. A concessão é um sinal de que as duas nações pretendem manter aberto um canal de comunicação, a despeito de rusgas nas relações entre os países desde que o presidente Donald Trump assumiu. 

O diplomata, Philip Goldberg, irá assumir o posto de encarregado de negócios em alguns dias, segundo o funcionário. Ele irá conduzir uma missão da qual inúmeros diplomatas foram retirados há quatro meses, em meio a disputas sobre a causa de uma doença que acometeu vários diplomatas americanos na ilha. 

É esperado que ele fique cerca de seis meses no posto, embora a duração de sua permanência não seja certa, disse o funcionário, que não quis ter seu nome identificado. 

Goldberg será profissional de mais alto escalão da diplomacia americana a servir de encarregado de negócios em Havana. O fato de Washington ter escolhido um funcionário desta estirpe, e de Havana ter concedido o visto a ele, sugere um desejo das duas partes em manter vínculos. 

O Departamento de Estado dos Estados Unidos não quis comentar sobre a questão. O Ministério de Relações Exteriores de Cuba não respondeu imediatamente ao pedido da reportagem. 

Goldberg, que foi chamado para o trabalho em dezembro, serviu anteriormente como embaixador nas Filipinas, chefe da missão americana em Kosovo e secretário de Estado assistente de inteligência e pesquisa. 

Em 2008, ele foi expulso da Bolívia quando era o embaixador norte-americano no país aliado à Cuba. Na época, o presidente boliviano Evo Morales disse que Goldberg estava fomentando agitações sociais. O Departamento de Estado americano descreveu as acusações como "sem embasamento". 

As relações entre Cuba e Estados Unidos deterioraram desde que Trump assumiu a presidência americana em janeiro de 2017, revertendo a distensão proposta por seu antecessor, Barack Obama. Trump reduziu as trocas comerciais com a ilha, assim como as autorizações de viagem. Além disso, o diálogo entre os dois países foi afetado por uma doença inexplicável que acometeu 24 norte-americanos, entre funcionários e seus familiares, desde 2016. Os sintomas da doença misteriosa iam de perda de audição à tontura. 

Tanto Estados Unidos quanto Cuba investigam o caso da doença dos diplomatas, mas sem conclusões até agora. O governo cubano nega qualquer envolvimento com o fato. 

Os EUA não tem um embaixador propriamente em Cuba desde 1960. Com a aproximação dos países durante o governo Obama, um encarregado de negócios tem assumido as funções de embaixador norte-americano na ilha. 

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