Berlusconi acumula gafes à medida que eleição italiana se aproxima

Por Isla Binnie

ROMA (Reuters) - Em uma recente conferência de negócios, Silvio Berlusconi deixou a plateia atordoada ao se vangloriar de que, quando era primeiro-ministro, fez com que os italianos recebessem pensões mensais de 1 mil liras, o preço aproximado de um café expresso.

Líder de uma coalizão de centro-direita que encabeça as pesquisas para a eleição nacional italiana de 4 de março, o político de 81 anos está mostrando sinais de fragilidade enquanto enfrenta uma proibição de ocupar cargos públicos, escândalos sexuais e problemas com a lei.

"Reagi a todo tipo de baixaria, a todos os ataques, todas as mentiras que lançaram contra mim, do Bunga Bunga às menores e todo o resto", afirmou Berlusconi na conferência realizada em Roma.

Ele também cometeu uma série de deslizes verbais, dizendo que a evasão fiscal na Itália totaliza 800 mil euros, uma fração da cifra real, e que a produção econômica italiana é de meros 1.600 euros, em vez de 1,7 trilhão.

O bilionário, que ainda não compareceu a nenhum comício eleitoral, vem concentrando sua campanha em bate-papos na televisão, e cancelou alguns deles, alegando cansaço.

"Ele está mostrando a idade", disse Giovanni Orsina, professor de história moderna da Universidade Luiss, de Roma. "Nos últimos 10 anos as derrotas, os golpes que ele levou obviamente tiveram um papel na redução de suas habilidades políticas".

O apoio à sigla de centro-direita Força Itália diminuiu quase pela metade desde 2001, e os comícios com apoiadores brandindo bandeiras e entoando "Graças a Deus por Silvio", como se viu durante sua campanha de 2008, desapareceram.

A Força Itália tem apenas uma boa chance de dividir uma vitória graças a um acordo com aliados da extrema-direita, como a Liga Norte e os Irmãos da Itália, cujas mensagens radicais ele tem que amenizar com frequência.

"Ainda estou à frente de todos os outros líderes políticos, embora não possa ocupar cargos públicos", disse. "Obviamente não tenho a aprovação de 75,3 por cento que costumava ter".

De acordo com uma sondagem da empresa Demos publicada na sexta-feira, Berlusconi apareceu apenas em oitavo lugar em uma lista dos líderes políticos italianos mais respeitados, com um índice de aprovação de 26 por cento.

(Reportagem adicional de Gavin Jones)

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