Irã diz que pode deixar acordo nuclear se boicote de bancos continuar

Por Bozorgmehr Sharafedin

LONDRES (Reuters) - O Irã deixará o acordo nuclear de 2015 se não perceber benefícios econômicos e se grandes bancos continuarem a evitar a República Islâmica, disse o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano nesta quinta-feira.

Conforme o acordo firmado com China, Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e Alemanha, Teerã concordou em limitar seu programa nuclear em troca da retirada de sanções que prejudicavam sua economia.

Apesar disso, grandes bancos continuam a manter distância por medo de entrarem em conflito com as sanções remanescentes dos EUA, o que vem atrapalhando os esforços iranianos para reerguer o comércio exterior e atrair investimentos.

Para piorar, em 12 de janeiro o presidente norte-americano, Donald Trump, disse aos signatários europeus do pacto nuclear que estes precisam concordar em "consertar os defeitos terríveis do acordo nuclear com o Irã", ou então ele retomará as sanções que Washington suspendeu em obediência ao pacto.

Mas mesmo que Trump ceda e emita novas "renúncias", que mantêm a suspensão destas punições, a situação atual é inaceitável para o Irã, disse o vice-chanceler Abbas Araqchi.

"O acordo não sobreviveria desta maneira, ainda que o ultimato passe e as renúncias sejam prorrogadas", afirmou Araqchi, o negociador nuclear iraniano, em um discurso feito no centro de estudos Chatham House em Londres.

"Se a mesma política de confusão e incertezas sobre o JCPOA (Plano Abrangente de Ação Conjunta, na sigla em inglês) continuar, se empresas e bancos não estiverem trabalhando com o Irã, não podemos permanecer em um acordo que não nos traz benefícios", disse Araqchi. "Isto é um fato".

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