Republicanos do Congresso dos EUA rejeitam novos limites para armas

Por Susan Cornwell e Richard Cowan

WASHINGTON (Reuters) - Líderes republicanos do Congresso dos Estados Unidos disseram nesta terça-feira que não irão aumentar a idade mínima para compradores de armas, em um sinal de que uma das propostas do presidente Donald Trump provavelmente não irá chegar longe no Capitólio após um ataque fatal a tiros em uma escola na Flórida.

O segundo ataque a tiros mais fatal em uma escola pública nos Estados Unidos reacendeu um longo debate nacional sobre direitos de armas, colocando muitos alunos que sobreviveram ao ataque de 14 de fevereiro na escola em Parkland, Flórida, contra poderosos grupos de direitos de armas, como a Associação Nacional do Rifle (NRA).

Diversos destes alunos visitaram parlamentares no Capitólio nesta terça-feira para pressionar o Congresso a decretar novas restrições sobre armas.

Republicanos no Congresso rejeitaram estes esforços após ataques em massa similares no passado, e líderes partidários disseram que provavelmente não iriam agir desta vez.

“Nós não deveríamos banir armas de cidadãos obedientes à lei. Nós deveríamos focar em garantir que cidadãos que não deveriam ter armas em primeiro lugar não tenham estas armas”, disse o presidente da Câmara dos Deputados, Paul Ryan, durante entrevista coletiva.

Trump sugeriu armar professores e aumentar a idade mínima para compra de fuzis semiautomáticos de 18 para 21 anos, mas Ryan disse que o Congresso não deve seguir com nenhuma das ideias.

Governos locais, e não o Congresso, devem decidir se armam ou não professores, disse.

Trump ainda apoia aumentar o limite de idade e irá divulgar propostas de políticas específicas nesta semana, disse a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders.

Os comentários de Ryan deixaram claro que limites de armas mais agressivos, como uma proibição do fuzil de estilo militar usado pelo atirador de 19 anos em Parkland, possuem pouca probabilidade de ganhar força no Congresso.

Ryan se encontrou posteriormente nesta terça-feira com alunos de Parkland, que se manifestaram por uma proibição de fuzis de assalto e pentes de grande capacidade, assim como outras medidas para segurança escolar, de acordo com o deputado Ted Deutch, um democrata que representa o distrito.

“Esta não é a última vez que eles virão a Washington”, disse Deutch. "É só o começo deste esforço.”

Procuradores disseram que Nikolas Cruz matou 17 pessoas na escola Marjory Stoneman Douglas, em Parkland, com um fuzil comprado legalmente. Agências federais e locais da aplicação da lei reconheceram ter recebido diversos alertas sobre potencial de Cruz à violência.

Trump e seus colegas republicanos estão sobre pressão para agirem após o massacre, mas eles também devem evitar irritar eleitores republicanos que apoiam amplos direitos de armas, assim como grupos de interesse, como a NRA, que gastou 55 milhões de dólares na eleição de 2016.

A Câmara votou em dezembro para aumentar o sistema nacional de verificações de antecedentes após a Força Aérea fracassar em fornecer registros de que poderia ter sinalizado sobre um ex-membro que matou 26 pessoas em uma igreja em Sutherland Springs, Texas, em novembro.

Esta legislação possui amplo apoio no Senado também, e o senador John Cornyn, do Texas, republicano número 2, disse querer que uma votação aconteça nesta semana.

O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, disse que por si só não será adequada. Ele pediu para o Congresso expandir o sistema de verificação de antecedentes para cobrir todas as vendas de armas, incluindo as realizadas em exposições de armas e na internet.

A legislação fracassou no Congresso duas vezes durante os últimos cinco anos, e caiu novamente na Câmara nesta terça-feira, conforme republicanos rejeitaram um esforço de democratas de colocá-la em votação.

“Nós democratas, em um mínimo, acreditamos que deveríamos aprovar uma legislação para verificação universal de antecedentes que garanta que armas não caiam em mãos erradas”, disse Schumer a repórteres.

A Casa Branca não apoia esta ideia, disse Sanders.

((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447759)) REUTERS ES

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