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Sarkozy é informado que é suspeito de ter recebido dinheiro de Gaddafi para eleição

21/03/2018 20h24

Por Emmanuel Jarry

NANTERRE, França (Reuters) - O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy foi informado nesta quarta-feira, após dois dias sob custódia, que está sendo formalmente tratado como um suspeito, conforme magistrados investigam queixas de que sua campanha eleitoral de 2007 recebeu financiamento do falecido líder líbio Muammar Gaddafi.

A ação transformou Sarkozy --que governou de 2007 a 2012 e ainda é um influente agente por trás das cenas na direita política-- em alvo de um inquérito sobre supostas entregas de dinheiro vivo e transferências bancárias entre Trípoli e Paris nos meses antes de vencer a eleição.

A ação marca uma aceleração dramática em um inquérito que havia enfraquecido amplamente nos noticiários desde que foi aberto há cinco anos, pouco após o ex-presidente de 63 anos deixar o cargo.

Sarkozy foi solto da custódia policial, mas colocado sob supervisão judicial.

Em jargão legal francês, ele foi oficialmente “colocado sob investigação” – uma medida que investigadores judiciais podem tomar caso tenham convicções sérias para suspeitar de uma ofensa. Ser colocado sob investigação frequentemente, mas não sempre, leva a julgamento.

A investigação agora irá focar em possíveis delitos que incluem corrupção passiva, financiamento ilegal de campanha e ocultamento de uso irregular de fundos públicos líbios, disse uma autoridade do Judiciário em condição de anonimato, a maneira padrão de comunicação em tais questões na França.

Esta é a segunda grande investigação envolvendo Sarkozy, que também enfrentou acusações de gastos de campanha ilícitos durante sua fracassada tentativa à reeleição em 2012.

O caso mais recente envolve acusações de um empresário franco-libanês, Ziad Takieddine, que diz ter ajudado a mover 5 milhões de euros do chefe de inteligência de Gaddafi para o chefe da campanha de Sarkozy antes da eleição de 2007.

Sarkozy não comenta publicamente desde que respondeu pela primeira vez uma convocação policial para perguntas na terça-feira. Ele no passado rejeitou as acusações como “grotescas” e as descreveu como uma “manipulação”. A fonte no Judiciário disse que ele havia negado qualquer ato irregular durante interrogatório.

A investigação teve início em 2013, após o site investigativo Mediapart publicar as acusações de Takieddine.

Em uma entrevista publicada na terça-feira ao jornal libanês L’Orient du Jour, Takieddine disse ter agido como intermediário entre a França e a Líbia durante o período em que Sarkozy foi ministro do Interior, antes de sua candidatura eleitoral.

Cinco meses após Sarkozy ser eleito presidente, Gaddafi lhe visitou em Paris, em sua primeira visita de Estado a uma capital ocidental em décadas. O excêntrico líder líbio ergueu uma tenda de estilo beduíno próximo ao Palácio do Eliseu.

Mais tarde, Sarkozy se tornou um dos principais defensores da campanha liderada pela Otan contra Gaddafi, que resultou na derrubada e morte do líder por rebeldes em 2011.