Preocupa muito aumento de ações militares na Síria, diz Aloysio Nunes

Lisandra Paraguassu

LIMA, 14 Abr (Reuters) - O Brasil repudia o uso de armas químicas mas está preocupado com o aumento das ações militares na Síria e defende uma solução política para a guerra civil naquele país, disse o ministro de Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira.

"Estamos muito preocupados com o aumento das ações militares na Síria, assim como já estávamos, reitero, muito preocupados com as graves denúncias ataques químicos", disse o ministro a jornalistas em Lima, onde participa da Cúpula das Américas.

Forças norte-americanas, britânicas e francesas bombardearam a Síria com mais de 100 mísseis neste sábado nos primeiros ataques ocidentais coordenados contra o governo de Damasco, tendo como alvo o que chamaram de centros de armas químicas em retaliação a um ataque com gás venenoso, que acusam ser de responsabilidade do governo sírio. 

"Aguardamos a conclusão o mais rápido possível das investigações no âmbito da Opaq (Organização para a Proibição de Armas Químicas), para que se possa punir os responsáveis", acrescentou Aloysio Nunes. "O Brasil defende uma solução política negociada pelos sírios que preserve a unidade territorial do país."

O ministro disse ainda que entrou em contato com o pessoal diplomático brasileiro na capital síria, Damasco, e que "não houve danos colaterais".

O Itamaraty deve soltar em breve uma nota sobre os ataques na Síria por potências ocidentais. Questionado se isso tirava importância da cúpula de Lima, o ministro brasileiro disse acreditar que não seja o caso.

Mas diplomatas brasileiros ouvidos pela Reuters afirmaram que sim, o ataque tira a atenção de uma cúpula, já esvaziada pela ausência do próprio presidente dos EUA, Donald Trump, e as dificuldades de tratar de temas centrais para a região como a crise na Venezuela.

O presidente Michel Temer deve tratar também do tema ao final de seu discurso na plenária presidencial da cúpula das Américas.

(Edição de Alexandre Caverni)

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