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China diz se opor firmemente a nova lei dos EUA para dar acesso ao Tibete

20/12/2018 10h30

Por Philip Wen

PEQUIM (Reuters) - A China criticou os Estados Unidos nesta quinta-feira por aprovarem uma nova lei sobre o Tibete, dizendo que se "opôs resolutamente" à legislação sobre o que considera um assunto interno e que cria o risco de causar "danos graves" às relações.

Na quarta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, sancionou a chamada Lei de Acesso Recíproco ao Tibete.        

A lei visa favorecer o acesso de diplomatas e outras autoridades norte-americanas, jornalistas e outros cidadãos ao Tibete negando entrada nos EUA a autoridades chinesas consideradas responsáveis pela restrição de acesso ao Tibete.

Pequim enviou tropas ao remoto e montanhoso Tibete em 1950, o que qualificou oficialmente como uma libertação pacífica, e governa o território com mão de ferro desde então.

A porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Hua Chunying, disse em um informe diário que a lei "envia sinais seriamente errados para elementos separatistas tibetanos", além de ameaçar piorar os laços bilaterais já tensionados por disputas comerciais e outras questões.

"Se os Estados Unidos implementarem esta lei, ela causará danos graves nas relações China-EUA e na cooperação em áreas importantes entre os dois países", disse Hua.

Washington deveria estar plenamente ciente da grande sensibilidade da questão tibetana e parar de interferir, caso contrário terá que aceitar a responsabilidade pelas consequências, acrescentou ela, sem dar detalhes.

Grupos de direitos humanos dizem que a situação dos tibetanos étnicos dentro do que a China chama de Região Autônoma do Tibete continua extremamente difícil. Em junho o Alto Comissário de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) disse que as condições estão se "deteriorando rapidamente" no Tibete.

Todos os estrangeiros precisam de permissão especial para entrar no Tibete, que geralmente são concedidas a turistas, aos quais se autoriza fazer visitas monitoradas rigidamente, mas com muito menor frequência a diplomatas e jornalistas estrangeiros.

Hua disse que o Tibete está aberto a visitantes estrangeiros, como evidenciado pelos 40 mil visitantes norte-americanos que foram à região desde 2015.

Ao mesmo tempo, ela disse que é "absolutamente necessário e compreensível" que o governo administre os controles de entrada de estrangeiros por "razões de geografia e clima locais".

A Campanha Internacional para o Tibete disse que a lei "impactante e inovadora" dos EUA marca uma "nova era de apoio americano".