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Sob toque de recolher, Equador inicia conversas sobre negociações entre governo e indígenas

13/10/2019 12h34

Por Alexandra Valencia e Mitra Taj

QUITO (Reuters) - Um dos grupos indígenas responsáveis pelos protestos em massa contra cortes nos subsídios para combustíveis no Equador concordou em negociar com o presidente Lenin Moreno, mas a decisão foi interrompida pela decisão do governo de ordenar um toque de recolher na capital no sábado após a última onda de violência na cidade.

O anúncio Conaie, como é chamado o grupo, foi o primeiro sinal de um possível avanço em uma disputa que provocou preocupações de segurança nacional e colocou em dúvida a capacidade de Moreno de executar seu plano de austeridade, que ainda está em estágios iniciais.

No entanto, a decisão de Moreno de impor o toque de recolher coordenador por militares em Quito e na região circundante da capital equatoriana, logo após o anúncio do Conae - feito pelo Twitter - irritou as lideranças indígenas, que anunciaram a continuação dos protestos.

"Não há diálogo real sem garantias necessárias de segurança física, disse a Conaie no Twitter.

Moreno ordenou, ainda, que as forças armadas do país restaurassem a ordem e pôs a culpa dos distúrbios em extremistas que estariam em infiltrando nos protestos.

Em um discurso noturno à nação, no sábado, Moreno defendeu o toque de recolher e agradeceu aos líderes indígenas por estarem abertos ao diálogo. Afirmou que juntos que analisariam o impacto de uma lei que aprovada na semana passada que encerrou um subsídio de combustível de décadas.

"Quem estiver disposto a conversar, nós o faremos. Este processo avançou e espero lhe dar boas notícias em breve", afirmou.

O presidente equatoriano, no entanto, não indicou planos de revogar a lei, que desencadeou uma reação e protestos que perderam saíram do controle.

No sábado, no décimo dia de marchas programadas em Quito, a polícia e os manifestantes entraram em conflito em meio a nuvens de gás lacrimogêneo enquanto vândalos incendiavam o escritório da controladora e uma estação de TV. As estradas para o aeroporto de Quito foram bloqueadas e os voos, cancelados.

A mídia local relatou protestos violentos em outras partes do país, incluindo a cidade costeira de Guayaquil, para onde Moreno transferiu seu governo por razões de segurança.

As Nações Unidas no Equador, que se ofereceram para mediar as negociações para acabar com a agitação, anunciaram no sábado que uma primeira rodada de diálogo com grupos indígenas seria realizada em Quito no domingo às 15h (hora local), mas não informou se Moreno e Conaie participariam.

No início de sábado, um dos líderes da Conaie disse ao canal de TV Ecuavisa que uma das condições para as negociações do grupo incluía torná-las públicas.

"Não vamos conversar a portas fechadas", disse Leonidas Iza. "Tem que haver telas grandes para que toda a informação de nossos membros seja ouvida".

Moreno, 66 anos, defendeu sua decisão de reduzir os subsídios aos combustíveis como parte essencial de sua tentativa de limpar as finanças do país, depois de assinar um contrato de empréstimo de 4,2 bilhões de dólares com o Fundo Monetário Internacional (FMI) no início deste ano.

No entanto, a medida elevou os preços de outros produtos e os oponentes dizem que ela atingirá os pobres com mais força.

Cinco pessoas foram mortas nos distúrbios desde o início de outubro e quase mil ficaram feridas, segundo o último relatório do escritório do ombudsman do país, que monitora conflitos. Mais de 1.100 pessoas foram presas.

Ainda não está claro o impacto do toque de recolher depois que entrou em vigor às 15h de sábado (horário local). Em sua mensagem à noite, Moreno disse que havia produzido resultados "tangíveis".

"Recuperamos a calma em boa parte da cidade", disse.

Fechados por várias horas, muitos moradores da cidade, com mais de 2 milhões de pessoas, batiam em panelas à noite nas janelas.

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