COP28 considera encerrar o uso de combustíveis fósseis, em oposição à Opep

Por Kate Abnett e Maha El Dahan e Jake Spring

DUBAI (Reuters) - A Opep está convocando seus membros e produtores de petróleo aliados para vetarem uma proposta de eliminar gradualmente o uso de combustíveis fósseis na cúpula do clima COP28, o que destaca profundas divisões sobre o futuro do petróleo e do gás.

Pelo menos 80 países estão exigindo um acordo na COP28 que busque o fim do uso de combustíveis fósseis em algum momento, com cientistas cobrando ações ambiciosas para evitar os piores impactos das mudanças climáticas.

O mais recente rascunho do que pode ser o acordo final da COP28, divulgado nesta sexta-feira, incluiu opções para alcançar esse objetivo.

"Parece que a pressão indevida e desproporcional sobre combustíveis fósseis pode atingir um ponto de inflexão com consequências irreversíveis", escreveu o secretário-geral da Opep, Haitham Al Ghais, em uma carta aos membros do grupo, incluindo a sede da COP28, os Emirados Árabes.

Na carta datada de 6 de dezembro, ele pediu que os membros rejeitem qualquer linguagem que visasse combustíveis fósseis no acordo final da cúpula.

A Opep afirmou, em resposta a perguntas da Reuters sobre a carta, que continuará a defender a redução de emissões, sem escolher fontes de energia.

"O mundo exige grandes investimentos em todas as fontes de energia, incluindo hidrocarbonos, todas as tecnologias, e uma compreensão das necessidades de energia de todos os povos", afirmou o secretário-geral da Opep no comunicado.

Embora combustíveis fósseis sejam a principal fonte das emissões que contribuem para o aquecimento global, três décadas de cúpulas climáticas da ONU nunca abordaram diretamente o futuro dessas fontes e uma decisão de eliminá-las gradualmente seria sem precedentes.

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OPÇÕES

O rascunho do acordo da COP28 inclui várias opções -- desde concordar com a "eliminação gradual de combustíveis fósseis de acordo com a melhor ciência disponível" à eliminação gradual de combustíveis fósseis "unabated" (sem intervenções que reduzam a emissão de gases do efeito estufa), até não incluir nenhuma linguagem sobre eles.

O embaixador climático da França, Stéphane Crouzat, disse que países como a Arábia Saudita sentem que podem continuar produzindo combustíveis fósseis enquanto limpam as emissões com novas tecnologias de captura de carbono.

“Sentimos que isso simplesmente não é realista”, disse Crouzat à Reuters.

O ministro canadense do ambiente, Steven Guilbeault, disse que estava confiante que o texto final incluiria um acordo sobre combustíveis fósseis. "Mesmo se não for tão ambicioso quanto alguns querem, ainda será um momento histórico".

Outros países afirmaram que estão insistindo que qualquer eliminação gradual de combustíveis fósseis deve ser liderada pelos países ricos que exploraram seus recursos por décadas.

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(Reportagem de Kate Abnett, Gloria Dickie, David Stanway, William James, Valerie Volcovici; Sarah MacFarlane; Jake Spring)

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