Partes do conflito no Sudão jogam água fria em conquistas obtidas com mediação

CAIRO (Reuters) - O Exército sudanês e a força paramilitar rival que combatem há oito meses lançaram dúvidas sobre o anúncio feito por mediadores regionais de que as duas partes teriam se comprometido com um acordo de cessar-fogo e um diálogo político.

A Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (Igad), um grupo de nações da África Oriental, tem buscado juntamente com os Estados Unidos e a Arábia Saudita, mediar o fim de um conflito que já matou mais de 12 mil pessoas, deslocou mais de 6,5 milhões e atingiu gravemente a economia do Sudão.

A Igad disse no domingo que o chefe do Exército, general Abdel Fattah al-Burhan, e o líder das Forças de Apoio Rápido (RSF), Mohamed Hamdan Dagalo, concordaram em se reunir pela primeira vez desde o início dos combates, assim como com uma proposta para um cessar-fogo incondicional.

Mas, em um comunicado no domingo, o Ministério de Relações Exteriores, alinhado com o Exército, disse que não reconhecia a declaração da Igad, uma vez que ela não incorporava os apontamentos que tinha feito, em particular que a reunião com Dagalo estava condicionada a um cessar-fogo permanente e à retirada das tropas da RSF do território da capital Cartum.

Entretanto, a RSF disse que a sua aceitação da reunião estava condicionada a que Burhan não comparecesse na qualidade de chefe de Estado, cargo que ocupa desde 2019, quando o Exército e a RSF trabalharam em conjunto para destituir o então presidente de longa data do país, Omar al- Bashir.

É pouco provável que o Exército, que considera a guerra uma rebelião da RSF, aceite tal requisito.

As negociações lideradas pela Arábia Saudita e pelos Estados Unidos foram suspensas no início deste mês, sem nenhum progresso nas medidas de criação de confiança previamente acordadas ou por um cessar-fogo.

(Reportagem de Nafisa Eltahir no Cairo e Khalid Abdelaziz em Dubai)

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