Trump e assessor de Biden cortejam executivos de empresas americanas

Por David Shepardson e Joey Roulette e Gram Slattery

WASHINGTON (Reuters) - O candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, e Jeff Zients, chefe de gabinete do atual presidente, Joe Biden, encontraram-se nesta quinta-feira com importantes lideranças empresariais norte-americanas em Washington, conforme tentam conquistar o favoritismo do mundo corporativo antes das eleições, disseram duas fontes.    Trump foi entrevistado pelo comentarista conservador Larry Kudlow, que foi conselheiro econômico no seu governo entre 2017 e 2021, afirmaram as fontes. O CEO do JP Morgan Chase, Jamie Dimon; o CEO da Xerox, Steven Bandrowczak; o presidente da Gap Inc, Richard Dickson; e o CEO da Truist, Bill Rogers, foram vistos deixando o local após o encontro.    O CEO da Apple, Tim Cook, estava sentado na primeira fileira, afirmou Stephen Moore, conselheiro econômico de Trump.    O encontro de Trump com a Business Roundtable, que tem mais de 200 CEOs como membros, concentrou-se na economia. Moore disse que o ex-presidente “entregou uma mensagem muito pró-mercado”, que enfatizou a redução de impostos para empresas e menor regulação.    As agendas desta quinta-feira mostram como ambos os candidatos estão cada vez mais focalizados em atrair poderosos CEOs para perto de si conforme a eleição se aproxima. A pesquisa de maio da Reuters/Ipsos mostrou que 44% dos eleitores acreditam que Trump tenha um melhor plano para a economia, comparados com 33% que apoiam a visão econômica de Biden.    A mensagem da campanha de Biden foi clara na manhã desta quinta-feira. Em comunicado que salientava os avanços econômicos do país no governo do democrata, a campanha criticou as propostas de Trump e seu passado.    Biden e Trump, que disputam uma corrida presidencial muito acirrada meses antes da eleição, em 5 de novembro, discordam em vários temas relativos à economia. O atual presidente colocou a proteção do meio ambiente como um elemento central de seus planos econômicos. Seu governo criou uma série de incentivos para a compra e uso de carros elétricos, e em janeiro interrompeu as aprovações para a exportação de gás natural liquefeito advindo de novos projetos.    Trump ataca as medidas que têm como objetivo acelerar a transição da economia dos EUA para um menor uso do combustível fóssil, e repetiu diversas vezes que veículos elétricos não funcionam.    Moore afirmou que Trump “disse que uma de suas primeiras prioridades quando retomar o poder será libertar a energia norte-americana”, acrescentando que “estamos jogando ela nas mãos da China, da Rússia e da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) por não produzirmos mais”.    Em seu governo, Trump cortou a maior tarifa de imposto corporativo de 35% para 21%, redução que, segundo Moore, o político tentará tornar permanente. Biden propôs aumentar a maior alíquota para 28%, abaixo dos níveis históricos, mas acima do atual.    Em Washington, Trump também deve conversar com republicanos do Senado e da Câmara dos Deputados. As reuniões devem ter como foco as prioridades em um potencial segundo mandato.    A Business Roundtable geralmente pede que os principais candidatos falem com o grupo durante anos eleitorais. Mesmo assim, a presença de Trump mostra como algumas figuras do meio corporativo receberam o ex-presidente após várias empresas terem se distanciado dele e de seus apoiadores após o ataque de 6 de janeiro de 2021 contra o prédio do Capitólio.    (Reportagem de Gram Slattery em Washington; reportagens adicionais de Saeed Azhar e Tatiana Bautzer em Nova York, Steve Holland, Jeff Mason, David Lawder, Doina Chiacu e David Morgan em Washington e Nathan Layne em Wilton, Connecticut)