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Presidência francesa está sob pressão após primeiras sabatinas na CPI sobre assessor de Macron

24/07/2018 10h54

O escândalo envolvendo o ex-colaborador do presidente francês, Emmanuel Macron, que agrediu manifestantes, continua estampado nas primeiras páginas dos jornais franceses desta ...

“O Eliseu está sob pressão”, indica Le Figaro em sua manchete de capa. Sabatinados na segunda-feira (23) pela Comissão de Inquérito da Assembleia Nacional francesa, o ministro do Interior, Gérard Collomb, e o secretário de Segurança da Paris, Michel Delpuech, não esclareceram todas as dúvidas que ainda pairam sobre o caso Alexandre Benalla.

Collomb e Delpuech responsabilizaram o diretor de gabinete do presidente francês, Patrick Strzoda, pela crise e, hoje, todas as atenções se voltam para Emmanuel Macron, escreve o jornal conservador. A credibilidade do presidente está arranhada, devido ao tratamento inadequado e a sanção inicial derisória de seu gabinete contra o ex-colaborador, filmado agredindo dois jovens manifestantes no Primeiro de Maio, usando ilegalmente uma braçadeira e um rádio da polícia.

Em seu editorial, Le Figaro prevê que Macron “terá muitas dificuldades para restaurar sua autoridade, abalada por essa história sinistra” e que já provocou uma derrota: a suspensão da votação da reforma constitucional, uma de suas importantes promessas de campanha.

Macron na “linha de mira”

“Caso Benalla, o incêndio não foi apagado e Macron continua na primeira linha de mira”, avalia Aujourd'hui en France. O presidente admitiu a colaboradores que há "anomalias" e pediu ao secretário-geral do Eliseu uma reorganização dos serviços da presidência.

O chefe de Estado "dá a impressão de administrar essa crise como uma empresa, mas ele não poderá continuar a negar que ela é, antes de mais nada, política”, critica o diário. Os representantes da maioria no Parlamento pedem uma demissão, ou um remanejamento, para tentar acabar com a crise, mas por enquanto o Palácio do Eliseu resiste.

Bode expiatório

Les Echos, que é o único a não destacar o escândalo em sua primeira página, abre espaço para o chefe gabinete de Macron, Patrick Strzoda, que será ouvido nesta terça-feira pela CPI da Assembleia sobre o caso Benalla. Strzoda, “um funcionário público exemplar que esta há dez semanas de se aposentar, encerra sua carreira com esse erro de apreciação ao sancionar o violento colaborador do Eliseu apenas com uma suspensão de 15 dias”. Les Echos estima que o chefe de gabinete corre o risco de ser o bode expiatório dessa história e seja demitido pela presidente para tentar acabar com a crise.

“A hora é grave”, aponta Libération em seu editorial. Macron, que não se pronunciou publicamente até agora sobre o caso, cancelou inclusive uma viagem para acompanhar uma etapa da Volta da França de bicicleta nesta quarta-feira (25) que seria uma oportunidade para acabar com sua imagem de "presidente dos ricos". O escândalo Benalla, independentemente do nome que será escolhido como bode expiatório, atinge “Macron em cheio”. O presidente todo poderoso, que até agora ditava a agenda e as reformas, é coisa do passado, afirma o jornal progressista.