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Filas marcam início da votação do 2° turno em Paris

28/10/2018 07h45

Antes mesmo da abertura das urnas em Paris, às 8h pelo horário local, uma fila de 60 brasileiros já esperava para entrar no local de votação neste domingo (28).

Apesar do grande movimento nas primeiras horas da votação, com longas filas em algumas seções, os eleitores não demoram muito para registrar o voto. Uma das explicações para a maior presença de votantes neste domingo é tentativa de evitar a longa espera registrada no primeiro turno, quando houve grandes as filas na parte da tarde, período escolhido por boa parte dos eleitores para votar.

Maria Aparecida, que há 32 anos vive na região parisiense, trocou o horário entre os dois turnos. No dia 7 de outubro ela enfrentou filas dentro e fora do local de votação e, desta vez, levantou mais cedo para evitar esperar muito tempo. Nascida em São Paulo, ela disse estar convicta de seu voto. "Minha opção é pela democracia. Não quero que vire um país de racismo, de homofobia. Posso entender quem muita gente vai escolher. Um pequeno monstro foi criado e se desenvolveu no país", opiniou.

Ao seu lado, Daniele Araújo, de 31 anos, que vive há oito anos na França, reforça o mesmo discurso. Ela diz que a motivação de seu voto é pela "manutenção da democracia e pela defesa dos direitos das minorias".

Na mesma fila, Aracele Alves, nascida em Teresina (PI), justificou sua opção: "Quero testar uma mudança radical. Parece que a situação está caótica no Brasil e vamos tentar uma opção radical para tentar mudar". Ela disse ter consultado muitos amigos e parentes no Brasil para definir seu voto. 

Sua amiga, Luiza Gadelha, de João Pessoa (PB), também recorreu a pessoas próximas para confirmar sua escolha. "A vontade é de mudar o sistema. Foi o que me motivou. Depois a gente vê o que acontece", diz.

Grande mobilização dos brasileiros para votar

O intenso movimento nos locais de votação também foi constatado pelas autoridades consulares na França. "Tem muita gente que veio de fora de Paris. Existe também a grande disposição em votar", afirmou à RFI a cônsul-geral do Consulado Brasileiro em Paris, Maria-Theresa Lazaro. 

Ela espera uma votação tranquila, como no primeiro turno, quando não foram registrados incidentes. Mas, diferentemente do 7 de outubro, uma equipe da polícia nacional francesa está no local desde cedo. No turno anterior, os policiais chegaram apenas no período da tarde.

"É para assegurar que os eleitores tenham tranquilidade. A polícia francesa foi alertada para eventualmente controlar eleitores agitados. Mas não tomamos medidas adicionais", garantiu a cônsul-geral.

Mais de 11 mil eleitores inscritos em Paris

A exemplo do primeiro turno, os brasileiros residentes na França só tem a opção de votar em Paris. O local, Espace Cléry, na região central da cidade, foi alugado para dar mais conforto aos eleitores, aos funcionários do Consulado e aos voluntários que trabalham na votação. 

No total, são 16 urnas preparadas para acolher os 11 mil e 47 inscritos. No entanto, a participação no primeiro turno foi considerada baixa, já que apenas 4.667 eleitores votaram.

Em 7 de outubro, o candidato vencedor foi Ciro Gomes (31,11%), seguido de Fernando Haddad (25,8%) e Jair Bolsonaro (25,1%). Na ocasião, os resultados foram encaminhados ao TRE do Distrito Federal -responsável pela votação no exterior - cerca de uma hora e meia depois do fechamento das urnas, às 17h do horário local. 

Os brasileiros em Paris também enfrentam a mudança de horário na França, já que na madrugada deste domingo os relógios do país foram recuados em uma hora devido a entrada em vigor do horário de inverno no hemisfério norte. Com a mudança, a diferença de fuso entre Paris e Brasília cai de 5 para 4 horas.