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Aquecimento global afeta cada vez mais países mediterrâneos

14/10/2019 09h12

Em uma reportagem publicada no jornal Le Figaro, o MedEcc, uma rede de mais de 80 cientistas da região da Europa e do Mediterrâneo, revela que a alta da temperatura média na região do Mediterrâneo já é superior à mundial e deverá atingir 2,2 C dentro de 20 anos e chegar a 3,8 C até 2100. O abastecimento de água poderia vir a ser racionado para cerca de 250 milhões de pessoas.

Em uma reportagem publicada no jornal Le Figaro, o MedEcc, uma rede de mais de 80 cientistas da região da Europa e do Mediterrâneo, revela que a alta da temperatura média na região do Mediterrâneo já é superior à mundial e deverá atingir 2,2 C dentro de 20 anos e chegar a 3,8 C até 2100. O abastecimento de água poderia vir a ser racionado para cerca de 250 milhões de pessoas.

Esta é a conclusão preliminar de um relatório apresentado pelo grupo, reunido em Barcelona, que também anunciou que o aquecimento global é 20% mais acelerado na região mediterrânea que no resto do planeta. Essa tendência, ressalta o Le Figaro no texto, deve continuar e será marcada por ondas de calor cada vez mais longas e com temperaturas cada vez mais altas, principalmente nas grandes cidades.

No sul e no leste do Mediterrâneo, o fenômeno terá uma incidência sobre as chuvas, que devem diminuir em 20% se houver uma mobilização para conter o aquecimento global e até 40% se nada for feito. O alerta é do diretor de pesquisa do CNRS, Joël Guiot. O norte deve ser poupado dessa perspectiva catastrófica, mas ainda restam muitas incertezas sobre os impactos da mudança climática.

No sul da região, os recursos hídricos podem cair até 60% caso os governos não se mobilizem para diminuir as emissões de gases poluentes. Se os países respeitarem o limite de alta da temperatura global em 2C estabelecido no Acordo de Paris, ainda assim as reservas de água estariam ameaçadas, ainda que em menor proporção.

Aumento do nível do mar coloca agricultura em risco

Outro fator que influenciará a qualidade da água é sua sanilização. "Os aquíferos costeiros serão mais contaminados pela água do mar, cujo nível vai aumentar", diz o pesquisador francês. Na melhor das expectativas, diz, se os 21 Estados banhados pelo Mediterrâneo tomassem medidas ousadas para reduzir as emissões de gás carbônico, a elevação do nível do mar Mediterrâneo chegaria a 60 centímetros, em vez de 80 a 100 centímetros, se não houver um engajamento mais responsável.

A alta do nível da água também coloca em risco os meios de subsistência  de 37 milhões de pssoas na África do Norte. Atualmente, 180 milhões de pessoas não dispõem de água em quantidade suficiente. A questão da segurança alimentar também preocupa os cientistas em algumas regiões, já que a agricultura depende da irrigação.

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