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Coronavírus não mata só idoso; metade dos pacientes graves na França têm menos de 65 anos

16/03/2020 09h44

Ao ver a despreocupação de milhares de franceses que apesar das medidas adotadas pelo governo para conter o coronavírus lotaram locais públicos neste domingo, o ministro da Saúde Olivier Véran lançou um alerta à população. "A imprudência pode matar! 50% dos pacientes em reanimação são jovens; têm menos de 65/60 anos", informou Véran em entrevista ao canal de TV France 2.

Ao ver a despreocupação de milhares de franceses que apesar das medidas adotadas pelo governo para conter o coronavírus lotaram locais públicos neste domingo, o ministro da Saúde Olivier Véran lançou um alerta à população. "A imprudência pode matar! 50% dos pacientes em reanimação são jovens; têm menos de 65/60 anos", informou Véran em entrevista ao canal de TV France 2.

As imagens dos franceses aproveitando o domingo de sol em família nas praças e parques de todo o país viralizaram nas redes sociais. "Suplico a todos que respeitem as medidas. Somos todos atores e nossos atos são determinantes para proteger a saúde dos franceses. O vírus é invisível, circula rápido e ameaça a vida das pessoas", insistiu o ministro.

Olivier Véran reiterou que esta é uma doença grave e que não mata apenas idosos. "Felizmente, 98% das pessoas saram, as crianças não desenvolvem formas graves, e entre 80 a 85% dos contaminados têm poucos ou nenhum sintoma. Mas não são essas pessoas que estão hospitalizadas, em reanimação, e que as famílias não esperavam que elas apresentassem sintomas graves", declarou. Resumindo, a situação é grave e justifica a "interrupção de nossa vida social e o fechamento das escolas", martelou Véran que pede a cooperação de todos.

Em todo o país, mais de 400 pessoas estão em reanimação. Metade delas têm menos de 65 anos e muitas delas não têm doenças pregressas como diabetes, hipertensão ou obesidade. Vários serviços hospitalares indicam que pacientes de 30 a 40 anos, sem antecedentes, estão em estado grave. O número de contaminação duplicou nas últimas 24 horas. O país registra aos menos 5.423 casos e 127 mortos.

Confinamento total?

A França começou a semana com sua rotina drasticamente alterada em função das últimas medidas para a contenção da epidemia do novo coronavírus. Esta segunda-feira (16) é o primeiro dia em que as instituições de ensino de todo o país amanheceram de portas fechadas, como determinado no pronunciamento do presidente Emmanuel Macron na noite da última quinta-feira (12). A decisão foi seguida por um novo pronunciamento, no sábado (14), desta vez pelo primeiro-ministro Edouard Philippe, ordenando o fechamento de todos os comércios considerados não essenciais.

Com a multiplicação dos casos e o comportamento dos franceses que mantiveram sua vida social apesar das primeiras medidas, novas restrições de circulação são aguardadas. O presidente Emmanuel Macron reúne nesta segunda-feira o Conselho de Defesa. Nesta noite ele faz um novo pronunciamento à nação e novas medidas, como o confinamento total da população a exemplo do adotado na Itália e na Espanha, são aguardadas. O governo também deve decidir se mantém ou não o segundo turno das eleições municipais. O primeiro turno, realizado neste domingo, foi marcado por uma taxa recorde de abstenção e muita polêmica sobre a sua realização neste momento de epidemia do Covid-19.

O presidente francês também participa hoje de uma videoconferência com outros líderes europeus para decidir um plano coordenado para enfrentar a crise. A questão do fechamento de fronteiras deve dominar a discussão. Vários países do bloco já fecharam isoladamente suas fronteiras.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, anunciou hoje a convocação de uma reunião extraordinária dos 27 líderes da União Europeia, para esta terça-feira (17), para articular as respostas à nova pandemia de coronavírus.