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Ataque de Paris: polícia descobre que principal suspeito usava identidade falsa

28/09/2020 11h30

Três dias após o ataque que deixou dois feridos em Paris diante da antiga sede do Charlie Hebdo, a polícia descobriu que o principal suspeito, preso logo após o atentado, teria apresentado uma identidade falsa. O homem se fez passar por um paquistanês de 18 anos mas teria, na realidade, 25 anos. Ele seria o mesmo indivíduo que aparece em um vídeo reivindicando o crime como uma vingança contra as caricaturas do profeta Maomé, publicadas neste mês pelo jornal satírico.

Três dias após o ataque que deixou dois feridos em Paris diante da antiga sede do Charlie Hebdo, a polícia descobriu que o principal suspeito, preso logo após o atentado, teria apresentado uma identidade falsa. O homem se fez passar por um paquistanês de 18 anos mas teria, na realidade, 25 anos. Ele seria o mesmo indivíduo que aparece em um vídeo reivindicando o crime como uma vingança contra as caricaturas do profeta Maomé, publicadas neste mês pelo jornal satírico.

Quando foi detido na sexta-feira (25), o jovem, que reconheceu rapidamente a autoria do ataque, se apresentou como Hassan A., um paquistanês que havia entrado na França ainda menor de idade, há três anos e que foi protegido pelo Estado até completar a maioridade, como acontece com os migrantes menores que ingressam no país desacompanhados. Segundo a polícia, ele tinha apenas uma passagem pela polícia, por porte ilegal de arma (uma chave de fenda), mas não apresentava nenhum sinal de radicalização islâmica.

No entanto, nesta segunda-feira (29) os investigadores encontraram, quando vasculhavam seu telefone celular, a fotografia de uma carteira de identidade. Segundo o documento, o jovem detido se chama Zaheer Hassan Mehmood e tem 25 anos.

Esse é o mesmo nome do homem que reivindica o ataque em um vídeo gravado pouco antes do atentado. Nas imagens, que duram dois minutos e circularam durante o fim de semana nas redes sociais, um rapaz assume seu ato e diz que o ataque é uma resposta "às caricaturas do profeta Maomé".

Agressor não suportou caricaturas de Maomé

O autor do vídeo não teria suportado a publicação pelo Charlie Hebdo de novas charges retratando o profeta, no começo de setembro, poucos dias antes do início do processo dos 14 suspeitos de cumplicidade no atentado. O ataque deixou 12 mortos na redação do jornal satírico em janeiro de 2015. "Hoje, 25 de setembro, vou condená-los", diz o agressor, antes de afirmar ter como guia um chefe do Dawat-e-Islami, um grupo islâmico não violento e sem vínculos políticos, baseado no Paquistão.

A prisão preventiva do principal suspeito foi prolongada em 48 horas no domingo. Outras cinco detenções para averiguação foram feiras nesta segunda-feira (28), entre elas a do irmão de Hassan/Zaheer, e de amigos com os quais ele dividiu um apartamento no nordeste de Paris.

Desde a noite de sexta-feira, antes mesmo da divulgação do vídeo reivindicando o ataque, o ministro francês do Interior, Gérald Darmanin, declarou que o ato tratava-se de um "ato terrorista islâmico, um novo ataque sangrento contra nosso país".

O agressor feriu dois jornalistas que fumavam diante da antiga sede do Charlie Hebdo com um cutelo, uma espécie de facão usada por açougueiros que tem a aparência de um machado com o cabo mais curto. Ele não sabia que o jornal havia mudado de endereço para um local mantido em segredo e teria pensando que as vítimas trabalhavam para o semanário.