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Macron diz em redes sociais que agressão a produtor musical por policiais é "inaceitável"

28/11/2020 05h46

O presidente francês Emmanuel Macron reagiu através de uma mensagem em redes sociais às agressões a um produtor musical negro por policiais. Manifestações são convocadas em toda a França neste sábado (28) contra a  Lei de Segurança Nacional, que quer impedir a difusão de imagens da polícia em ação.

O presidente francês Emmanuel Macron reagiu através de uma mensagem em redes sociais às agressões a um produtor musical negro por policiais. Manifestações são convocadas em toda a França neste sábado (28) contra a  Lei de Segurança Nacional, que quer impedir a difusão de imagens da polícia em ação.

Na mensagem, publicada na noite de sexta-feira (27), Macron diz que a agressão ao produtor musical Michel Zecler por policiais é "inaceitável" e que as "imagens dão vergonha". O presidente afirma que pediu ao governo que proponha rapidamente soluções "para lutar de maneira eficaz contra todo tipo de discriminação".

"A França não deve nunca deixar prosperar o ódio ou o racismo", sublinhou o chefe de Estado na declaração, pedindo "uma polícia exemplar com os franceses", mas também "franceses exemplares com as forças de ordem".

"Os que aplicam a lei devem respeitar a lei. Eu não aceitarei nunca que a violência gratuita de alguns macule o profissionalismo de mulheres e homens que, no dia a dia, garantem nossa proteção com coragem", insistiu.

Ele afirma que é "protetor" das liberdades, especialmente a liberdade de expressão e a de imprensa. "Eu não aceitarei nunca que essas liberdades sejam negadas", disse, em plena polêmica sobre o artigo 24 da Lei de Segurança Global que visa sancionar a difusão de imagens de policiais em operação.

O chefe de Estado destaca também defender a liberdade de manifestar. "Cada cidadão deve poder expressar suas convicções e reinvindicações protegido de toda violência e de toda pressão".

"A França é um país de ordem e de liberdade, não um país de violência gratuita e de arbitrariedades", afirma.  

Macron recebeu na quinta-feira o ministro do Interior Gérard Darmanin e pediu sanções claras contra os policiais que espancaram o produtor.

Nos últimos dias, vários vídeos difundidos por redes sociais mostram comportamentos violentos de policiais e fragilizam o executivo. Mesmo membros do partido do presidente, a República em Marcha, questionam a nova lei.

Além das imagens do espancamento de Zecler, divulgadas na quinta-feira (26), vídeos da evacuação violenta de centenas de migrantes que instalaram tendas, com a ajuda de associações humanitárias, na praça da República, em Paris, na segunda-feira (22), foram difundidos em redes sociais, causando comoção.

Manifestações em toda a França

Manifestações foram convocadas por sindicatos de jornalistas e organizações de defesa da liberdade de expressão e dos direitos humanos, em toda a França, neste sábado (28) contra a adoção da Lei de Segurança global.

Na sexta-feira, a manifestação, que prevê um trajeto da praça da República até a Bastilha, foi proibida pelo comissário da polícia de Paris, Didier Lallement, alegando razões sanitárias. Mas o Tribunal administrativo cassou ou decreto e permitiu a realização da "marcha das liberdades", prevista para a tarde deste sábado.