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Atrasos na vacinação contra a Covid-19 na UE vão custar € 123 bilhões ao bloco

26/03/2021 06h18

Cresce a frustração na União Europeia diante do atraso de sete semanas nos programas de vacinação do bloco. As encomendas de imunizantes anunciadas no final de dezembro demoram a chegar. "É preciso dizer que a imagem é cruel", escreve nesta sexta-feira (26) o jornal francês Le Figaro.

Cresce a frustração na União Europeia diante do atraso de sete semanas nos programas de vacinação do bloco. As encomendas de imunizantes anunciadas no final de dezembro demoram a chegar. "É preciso dizer que a imagem é cruel", escreve nesta sexta-feira (26) o jornal francês Le Figaro.

O bloco pode se vangloriar de ter "garantido" cerca de 2,6 bilhões de doses para os 27 países membros. Mas, de acordo com o site One World in Data, apenas 14% dos europeus receberam pelo menos uma dose da vacina anti-Covid, contra 39% dos americanos e 46% dos britânicos. 

De acordo com novas previsões comunicadas aos líderes nessa quinta-feira (25) pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, os europeus receberam 88 milhões de doses de vacinas até agora. Ao mesmo tempo, a União Europeia exportou 77 milhões de doses desde 1º de dezembro de 2020, o que provoca incompreensão entre cidadãos. 

Sem citar a palavra fracasso, o presidente francês, Emmanuel Macron, admitiu em entrevista à televisão grega nesta semana "os erros" dos europeus nesse processo. "Fomos muito lentos", disse Macron, "mais lentos que os Estados Unidos", admitiu. "Erramos por falta de ambição. (...) Somos racionais demais, talvez ", argumentou Macron. 

Os repetidos atrasos, provocados principalmente pelas entregas contratadas e não cumpridas pelo laboratório anglo-sueco AstraZeneca, vão custar uma fortuna. Até agora, a farmacêutica só entregou um quarto das doses que prometeu. Segundo estimativas da seguradora de crédito Euler Hermes, o atraso de sete semanas no calendário de vacinação do bloco poderá custar aos países membros € 123 bilhões em 2021, cerca de R$ 827 bilhões na moeda brasileira. 

"Soluções em vez de palavras"

Em uma coluna publicada na quarta-feira (24) no site Político, o primeiro-ministro da Polônia pressionou a Comissão Europeia a ir mais longe. "É hora de substituir palavras fortes por ações fortes. Devemos colocar soluções mais eficazes na mesa", disse Mateusz Morawiecki, pleiteando o estrito cumprimento dos contratos firmados com as empresas farmacêuticas e que as vacinas sejam um bem público. 

De todos os líderes, o austríaco Sebastian Kurz é o mais virulento. "A União Europeia já exportou mais de 70 milhões de doses de vacinas para o mundo, enquanto na Europa estamos lutando contra a terceira onda", tuitou o chanceler austríaco durante a videoconferência.

Ele liderou um grupo de Estados membros, formado por Bulgária, Letônia, Croácia, República Tcheca e Eslovênia, que, após evitar as vacinas da Pfizer e Moderna, se viu em uma situação de escassez devido aos atrasos da AstraZeneca. Estes países exigiram, quinta-feira à tarde, uma nova distribuição de vacinas entre os 27, em particular no que diz respeito às 10 milhões de doses adicionais da Pfizer que serão entregues à UE. 

A maioria dos países europeus, incluindo a Alemanha, está disposta a proibir a exportação de vacinas, principalmente se nenhuma solução for encontrada com o Reino Unido, que tem recebido o grosso da produção da AstraZeneca. A Comissão Europeia espera receber 360 milhões de doses no segundo trimestre. Mas incógnitas permanecem em relação às entregas da AstraZeneca (70 milhões) e da Johnson & Johnson (55 milhões). 

"Existe um risco", admite um diplomata nas páginas do Le Figaro. "Mas acho que podemos chegar a 300 milhões de doses", acrescenta a fonte anônima, para uma população de 447,7 milhões de habitantes.