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Vacinação, imposto global, multilateralismo: G7 na Inglaterra marca volta de cúpulas presenciais

11/06/2021 04h04

No primeiro encontro presencial desde o início da pandemia, líderes do G7, o grupo que reúne sete das maiores economias do mundo, têm o desafio de mostrar sua relevância para resolver as principais questões globais. A distribuição de vacinas para o resto do mundo está no topo da agenda da cúpula de três dias, que marca ainda a primeira viagem internacional do presidente americano, Joe Biden.

No primeiro encontro presencial desde o início da pandemia, líderes do G7, o grupo que reúne sete das maiores economias do mundo, têm o desafio de mostrar sua relevância para resolver as principais questões globais. A distribuição de vacinas para o resto do mundo está no topo da agenda da cúpula de três dias, que marca ainda a primeira viagem internacional do presidente americano, Joe Biden.

Vivian Oswald, correspondente da RFI em Londres

Este é um encontro de muitos símbolos. Vai ser a primeira vez que os líderes do G7 se reúnem cara a cara em dois anos. A cúpula de 2020 foi cancelada por conta da pandemia, e as duas anteriores foram perturbadas pela presença do ex-presidente americano Donald Trump. O encontro marca ainda a primeira viagem internacional do democrata Joe Biden, que tem por missão mostrar que os Estados Unidos retornaram ao multilateralismo e que, no tabuleiro geopolítico, a aliança transatlântica voltou para o topo da agenda do país.

São sinais importantes para o resto do mundo, recados muito claros para tradicionais oponentes como a China e a Rússia, que não participam. Biden se encontra com o presidente da Federação Russa, Vladmir Putin, no final do seu périplo. A reunião bilateral será em Genebra.

A cúpula do G7 também é de extrema importância para o Reino Unido - Londres pretende se firmar como potência desde que deixou a União Europeia (UE). Na presidência do G7 este ano, os britânicos trabalham para que o encontro tenha resultados importantes. A lista de convidados de fora do clube dos sete inclui outras grandes democracias, mas os britânicos não convidaram o Brasil, uma das maiores do mundo. Há representantes da UE, Índia, Coreia do Sul e Austrália.

Ampliar a vacinação no mundo 

Três temas principais devem nortear os encontros dos próximos três dias na Baía de Carbis, na Cornualha, no sudoeste da Inglaterra. A prioridade absoluta é a vacinação global: como fazer os imunizantes chegarem a todos, inclusive as nações mais pobres.

Na África Subsaariana, menos de 2% da população foi vacinada. A média mundial está em torno de 12%. No Reino Unido, por exemplo, mais de metade dos britânicos foi totalmente imunizada, enquanto 80% já receberam uma dose de antígeno.

O chamado nacionalismo da vacina pode atrasar a recuperação mundial, segundo especialistas. Espera-se que os países ricos anunciem doações expressivas de excedentes de vacinas contra a Covid-19. Antes mesmo do início da cúpula, um surto da doença obrigou um dos hotéis que recebia integrantes da imprensa e equipes de segurança a fechar. Quatorze dos 17 funcionários tiveram testes positivos para a doença.

As mudança climáticas também terão destaque, no momento em que o mundo se prepara para a COP26, que acontece no final do ano em Glasgow, na Escócia.

Imposto global

Por fim, não menos importante, há a discussão sobre uma espécie de reforma tributária global que tem por objetivo garantir que multinacionais, como as gigantes de tecnologia, não tenham como fugir do pagamento de impostos. Para isso, discute-se a criação de uma taxa mínima de 15% que seria aplicada sobre os lucros dessas companhias de grande porte, com atuação internacional. A medida é também uma alternativa para que os países recomponham parte das suas finanças, depois de mais de um ano de pandemia e bilhões de dólares de pacotes de estímulo econômico.

Tudo isso são respostas a questões globais que terão de ser enfrentadas por todos os países do mundo. As medidas só terão efeito se aplicadas por todas as nações. A questão tributária será levada à próxima reunião do G20, que acontece no mês que vem em Veneza.

O G7 já representou 80% do PIB mundial, quando foi criado em 1975. Foi uma resposta conjunta a turbulências causadas pelo mercado de petróleo e de câmbio. Hoje, a economia dessas sete nações somadas não passa de 40% do PIB global.

O que é interessante é que boa parte da agenda da cúpula dos próximos dias traz ideias antes inconcebíveis para os países desenvolvidos e o neoliberalismo surgido do acerto internacional de contas após a Segunda Guerra Mundial. Antes de embarcar para a Europa, Joe Biden disse que a cúpula deve provar que as alianças democráticas e instituições desenvolvidas no último século continuam preparadas para enfrentar as ameaças e adversários nos dias de hoje.