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Portugal enfrenta forte alta de casos de Covid-19 e teme por sua imagem

22/06/2021 08h04

O aumento do número de casos de Covid-19 em Portugal preocupa as autoridades. A maioria das novas infecções têm sido registradas em Lisboa e no Vale do Tejo, onde a variante Delta, descoberta pela primeira vez na Índia, se propaga em ritmo acelerado.

O aumento do número de casos de Covid-19 em Portugal preocupa as autoridades. A maioria das novas infecções têm sido registradas em Lisboa e no Vale do Tejo, onde a variante Delta, descoberta pela primeira vez na Índia, se propaga em ritmo acelerado.

Fábia Belém, correspondente da RFI em Lisboa

Especialistas e autoridades de saúde acreditam que o atual cenário da crise sanitária está associado à suspensão das medidas de restrição, que tem ocorrido de forma gradual desde 15 de março, e à presença da variante Delta no país.

Resultados preliminares de um estudo feito neste mês, coordenado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), indicam que a variante Delta é responsável por mais de 60% dos casos de Covid-19 na área metropolitana de Lisboa. Já na região norte, a prevalência desta cepa ainda é inferior a 15%. O instituto nota que a variante Delta tem um grau de transmissibilidade de cerca de 60% superior à Alfa, identificada no Reino Unido.

Situação epidemiológica

De acordo com o último boletim da Direção-Geral de Saúde, nas últimas 24 horas foram registrados mais 756 casos de Covid-19, sendo que 64% (484) estão concentrados na área metropolitana de Lisboa. Também foram confirmados mais três óbitos - todos em Lisboa e no Vale do Tejo. A vacinação completa dos que têm mais de 80 anos de idade, que são os mais vulneráveis, explica o baixo número de mortes. Os últimos dados também revelam que mais 38 doentes foram hospitalizados, aumentando para 443 o número total de internações provocadas pelo agravamento de casos da Covid-19. Entre os internados, 97 estão em Unidades de Terapia Intensiva (UTI).

As hospitalizações estão no patamar mais alto desde o começo de fevereiro, quando a crise sanitária em Portugal acabava de passar por uma catástrofe, com recordes diários do número de mortes. Atualmente, o indicador R(t) - índice de transmissibilidade da doença - é de 1,18, enquanto a incidência nacional está em 119,3 casos por 100.000 habitantes.

Respostas ao avanço da pandemia

Tudo indica que o país não terá condições de avançar para a próxima fase de flexibilização das restrições, prevista para o próximo dia 28. Embora a situação esteja preocupando especialistas e autoridades de saúde, por enquanto o governo português não fala em voltar a impor medidas rígidas de confinamento.

Aos jornalistas, a ministra da Saúde, Marta Temido, disse que é preciso fazer "três coisas em paralelo" para responder ao cenário atual da pandemia: acelerar a vacinação, garantir o acesso a testes e utilizar algumas medidas de contenção. Uma delas começou a ser adotada na sexta-feira (18) passada e consiste em proibir os ingressos e saídas de pessoas da área metropolitana de Lisboa, o que se repetirá nos próximos fins de semana. O objetivo é tentar retardar a disseminação da variante Delta, esperando que ela só se propague nas outras regiões do país numa fase em que um maior número de cidadãos estejam vacinados.

Marta Temido acredita que a variante Delta se tornará dominante no território português. A ministra afirmou que Portugal está no que chamou de "contraciclo" em relação à queda de contaminações em outros países europeus. Em pleno início da temporada turística de verão, ela teme que esse novo surto prejudique a imagem do país.

Vacinação

Dos 10,2 milhões de habitantes do país, 4,7 milhões de portugueses já tomaram pelo menos uma dose da vacina e 2,6 milhões estão com a vacinação completa (25,6%). Neste grupo, estão quase todos as pessoas com mais de 65 anos. Porém, ainda falta vacinar um grande número de adultos para o país melhorar o grau de imunidade da população. Estudos feitos até agora mostram que as vacinas são menos eficazes contra a variante Delta, mas a proteção contra a doença continua sendo importante, desde que as duas doses sejam aplicadas. 

Nesta segunda-feira (21), Portugal estendeu a vacinação à faixa etária de 37 anos, que já pode agendar um horário para receber a primeira dose. O governo espera que seja possível administrar no mês que vem mais de 130 mil doses por dia. Atualmente, a média diária é de cerca de 95 mil injeções.