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Rebelando-se contra o Talibã, afegãs usam roupas coloridas tradicionais nas redes sociais

26/09/2021 16h29

Diante do preto do niqab (véu islâmico fechado),as cores deslumbrantes dos vestidos tradicionais afegãos. Quando viu as imagens de mulheres usando o niqab durante uma manifestação em apoio ao Talibã em Cabul, Bahar Jalali decidiu lançar uma campanha online para divulgar os vestidos tradicionais afegãos, cintilantes, coloridos e cheios de vida.

Diante do preto do niqab (véu islâmico fechado),as cores deslumbrantes dos vestidos tradicionais afegãos. Quando viu as imagens de mulheres usando o niqab durante uma manifestação em apoio ao Talibã em Cabul, Bahar Jalali decidiu lançar uma campanha online para divulgar os vestidos tradicionais afegãos, cintilantes, coloridos e cheios de vida.

A pesquisadora, nascida no Afeganistão, lançou então nas redes sociais a hashtag #DoNotTouchMyClothes (Não toque em minhas roupas, em inglês) para protestar contra o véu preto total imposto pelo Talibã às estudantes afegãs.

"Eu queria que o mundo soubesse que a vestimenta usada por essas mulheres em Cabul é o vestido tradicional afegão", disse ela em sua casa em Glenwood, Maryland, nos Estados Unidos, referindo-se ao protesto realizado no início deste mês.

"As mulheres afegãs não se vestem assim [de véu preto total]. As mulheres afegãs usam vestidos coloridos que mostramos ao mundo, especialmente no Twitter", acrescenta ela.

Em seu rastro, muitas mulheres afegãs em Cabul publicam fotos delas mesmas usando vestidos brilhantes e multicoloridos, verdes, amarelos, laranja ou vermelhos, inundando as redes sociais com os famosos bordados de seu país.

Bahar Jalali, 46, emigrou ainda criança para os Estados Unidos. Ela voltou ao Afeganistão em 2009 para ensinar história e estudos de gênero (que exploram as relações sociais entre os sexos) na Universidade Americana de Cabul - o primeiro programa desse tipo no Afeganistão. Ela agora é professora na Loyola University em Maryland.

"Quero que esses vestidos coloridos eclipsem o preto do niqab, quero que as pessoas se lembrem disso como a face da cultura afegã", insiste ela.

Bahar Jalali agora está preocupada com seus ex-alunas "presas no Afeganistão": "muitos temem por suas vidas", diz. "Meus alunos são apaixonados pela igualdade de gênero, sejam eles homem ou mulher. Então, realmente não sei como essa nova geração, que nunca viveu sob o domínio do Talibã, que cresceu em uma sociedade aberta e livre, será capaz de se adaptar a este período terrível", disse ela.

Mas é também porque esses jovens experimentaram a liberdade que Jalali acredita que os novos líderes extremistas do Afeganistão encontrarão obstáculos em seu caminho.

"A sociedade afegã é diferente do que era da última vez que o Talibã governou o país. Muitas mulheres ganham a vida, são chefes de família", disse ela.

"Será extremamente difícil para o Talibã impor essa mão de ferro à população afegã, como fizeram antes", concluiu.

Com informações da AFP