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Quem é Rémy Daillet, conspiracionista francês acusado de planejar golpe e atentados

22/10/2021 06h40

O militante francês de extrema direita, que circula nos meios conspiracionistas e "guru" antivacina, foi preso na França, suspeito de ter organizado o sequestro de uma menina. Daillet foi tirado de sua cela na terça-feira (19) e está atualmente retido pela polícia por suspeita de "projetos de golpe de Estado e outras ações violentas". 

O militante francês de extrema direita, que circula nos meios conspiracionistas e "guru" antivacina, foi preso na França, suspeito de ter organizado o sequestro de uma menina. Daillet foi tirado de sua cela na terça-feira (19) e está atualmente retido pela polícia por suspeita de "projetos de golpe de Estado e outras ações violentas".
 

O grupo planejava uma série de ataques contra centros de vacinação, uma loja maçônica, antenas de 5G, prédios institucionais, personalidades e jornalistas, segundo fontes ligadas ao caso. Daillet tinha pedido em vídeos a proibição das máscaras e a destruição das redes 5G. O francês Daillet é suspeito de ser "o cérebro" de um grupo que planejava ações violentas.

Aos 54 anos, Rémy Daillet-Wiedemann é filho de Jean-Marie Daillet, ex-deputado do partido UDF (União pela Democracia Francesa), que está na origem do partido Modem, de centro direita. A legenda é dirigida por François Bayrou, candidato à presidência em 2002. Ele foi ex-ministro da Educação durante os mandatos dos presidentes François Miterrand (1981-1995) e de Jacques Chirac (1995 - 2007) e ministro da Justiça por um mês no início do governo Macron.

Daillet se tornou líder da legenda na região de Haute Garonne, no sudoeste da França. Ele se tornou conhecido após ter protagonizado uma "greve do frio" na frente da fábrica de aparelhos eletrônicos Molex, em Villemur-sur-Tarn, ameaçada de fechamento. Excluído do  Modem em 2010, ele passou a adotar ideias complotistas, divulgadas nas redes sociais. 

Contrário ao aborto, à 5G, à vacinação e cético em relação à Covid-19, ele criou um site intitulado "Appel au renversement du gouvernement de la République française" (Convocação geral para a derrubada do governo francês, na silga em francês), onde ele detalha 81 medidas que pretende colocar em prática quando chegar ao poder. Uma delas, acabar com todos os impostos após o "golpe de Estado." No site, ele ataca diretamente o presidente francês, Emmanuel Macron. Em seus vídeos na internet ele desenvolve uma retórica antissistema e obtêm centenas de milhares de visualizações.

"Influencer do mal"

Na França, ele é suspeito de ter organizado o sequestro de Mia, em Vosges, no leste da França, em 13 abril deste ano, a pedido de sua mãe. A menina, levada por uma quadrilha de cinco homens, foi achada na Suíça cinco dias mais tarde. Em um vídeo, Rémy Daillet-Wiedemann, negou o termo sequestro dizendo que sua organização, "livre e resistente, entrega crianças sequestradas pelo Estado para seus pais, a pedido deles. Isso não é sequestro", insistiu.

De acordo com o jornal Le Parisien, Rémy Daillet-Wiedeman também é procurado pela Interpol após ter elogiado, nas redes sociais, as frases negacionistas tagadas em 2020 em um monumento da cidade d'Oradour-sur-Glane, no centro da França. Sua população foi massacrada em junho de 1944 por uma divisão da Schutzstaffel, conhecida como SS, a tropa de elite nazista.

"Influencer do mal", o nome de Rémy também foi citado por um homem com distúrbios psiquiátricos que lançou um carro contra a polícia de Dax, em novembro. Detido, ele declarou que aderiu às teorias do complotista francês e pretendia dar um "golde Estado", segundo informações da rádio France Bleu.

(RFI e AFP)