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Merck vai permitir distribuição de seu medicamento contra a Covid para países de baixa renda a preços acessíveis

27/10/2021 14h30

O laboratório americano Merck anunciou nesta quarta-feira (27) um acordo que poderá permitir a ampla distribuição em países de baixa e média renda de versões genéricas de seu medicamento contra a Covid-19 destinado ao tratamento de pessoas infectadas com a doença. Mas o Brasil, assim como a China, não será beneficiado. 

O laboratório americano Merck anunciou nesta quarta-feira (27) um acordo que poderá permitir a ampla distribuição em países de baixa e média renda de versões genéricas de seu medicamento contra a Covid-19 destinado ao tratamento de pessoas infectadas com a doença. Mas o Brasil, assim como a China, não será beneficiado. 

O Medicines Patent Pool (MPP) disse que assinou um acordo de licenciamento voluntário com a Merck para facilitar o acesso global a preços acessíveis ao molnupiravir, o medicamento antiviral oral experimental contra a Covid-19, desenvolvido pela Merck.

Sujeito à aprovação regulatória, o acordo ajudará a ampliar o acesso ao molnupiravir em 105 países de baixa e média renda.

As autoridades reguladoras de medicamentos nos Estados Unidos e na União Europeia já lançaram uma avaliação desse medicamento.

 Antivirais como o molnupiravir atuam diminuindo a capacidade de replicação do vírus, retardando assim a doença.

Dado a pacientes após alguns dias de um teste positivo, o tratamento reduz pela metade o risco de hospitalização, de acordo com um ensaio clínico conduzido pela Merck, também chamado de MSD fora dos Estados Unidos.

Quebra de patente permite melhor preço

O MPP, com sede em Genebra, é uma organização internacional apoiada pelas Nações Unidas que trabalha para facilitar o desenvolvimento e melhorar o acesso a medicamentos em países de baixa e média renda, por meio de uma abordagem inovadora para a concessão de licenças voluntárias e quebra de patentes.

Como parte do acordo, a Merck licencia o MPP, que pode sublicenciar fabricantes de medicamentos genéricos.

O acordo significa que os desenvolvedores do medicamento não receberão os direitos de vendas enquanto a Covid-19 permanecer classificada como uma emergência de saúde pública de interesse internacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Na semana passada, seu comitê de emergência reconfirmou o status de alerta máximo da pandemia.

"Os resultados provisórios para o molnupiravir são convincentes e vemos este candidato à terapia oral como uma ferramenta potencialmente importante para ajudar a resolver a atual crise de saúde", disse Charles Gore, diretor-executivo do MPP.

Ele espera que este primeiro acordo de licenciamento voluntário para um medicamento vinculado à Covid-19 incentive outras empresas a se apresentarem.

A Merck está desenvolvendo conjuntamente o molnupiravir com a Ridgeback Biotherapeutics. Wendy Holman, CEO da empresa em Miami, disse: "Temos o prazer de trabalhar com o MPP para garantir que versões genéricas de qualidade do molnupiravir possam ser desenvolvidas e distribuídas imediatamente após a autorização regulatória."

Brasil não será beneficiado

"Parcerias e colaboração podem fazer mais para enfrentar os desafios da saúde global do que uma organização sozinha", acrescentou.

Os preços do molnupiravir ainda não foram determinados, mas sua simplicidade e competição entre os fabricantes de genéricos devem garantir preços baixos nos 105 países mais pobres, segundo Herve Verhoosel, porta-voz da Unitaid (organização internacional de compras de medicamentos para países pobres que criou o MPP)

Acreditando que milhões de pessoas poderiam precisar desse tratamento em países com baixas taxas de vacinação, ele convocou outros laboratórios a seguirem os passos da Merck.

A ONG Médicos sem Fronteiras (MSF), por sua vez, lamentou que o acordo não fosse além, deplorando em uma declaração que ele "exclui quase metade da população mundial e países com renda moderada e baixa renda, como Brasil e China ".

(Com informações da AFP)