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Com ataques aéreos e invasão terrestre, Rússia lança guerra contra Ucrânia

24/02/2022 05h02

Com apoio da Belarus, a Rússia iniciou uma "operação militar especial" de grande envergadura na Ucrânia. Os bombardeios aéreos e disparos de mísseis contra as principais cidades ucranianas, entre elas a capital Kiev, começaram pouco antes da meia-noite de quarta-feira (23) no horário de Brasília. Horas mais tarde, forças terrestres ingressaram no território ucraniano. A guerra minuciosamente planejada por Moscou contra a ex-república soviética é condenada pela comunidade internacional. 

Com apoio da Belarus, a Rússia iniciou uma "operação militar especial" de grande envergadura na Ucrânia. Os bombardeios aéreos e disparos de mísseis contra as principais cidades ucranianas, entre elas a capital Kiev, começaram pouco antes da meia-noite de quarta-feira (23) no horário de Brasília. Horas mais tarde, forças terrestres ingressaram no território ucraniano. A guerra minuciosamente planejada por Moscou contra a ex-república soviética é condenada pela comunidade internacional. 

O anúncio da ofensiva russa aconteceu em meio a uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, em Nova York, atualmente sob a presidência da Rússia. Em um discurso transmitido pela televisão, permeado de desinformação e incoerências, o presidente russo, Vladimir Putin, disse que agia para "defender os separatistas do Donbass", região do leste em rebelião há vários anos, e chamou os soldados ucranianos a entregar as armas. No entanto, os bombardeios não se restringem ao leste e têm como alvo cidades do oeste, norte e sul do país, na faixa geográfica que se estende da península da Crimeia, anexada por Moscou em 2014, e as duas repúblicas separatistas de Lugansk e Donetsk, que tiveram a independência reconhecida por Moscou.     

Em resposta, o presidente da Ucrânia, Volodymir Zelensky, decretou a lei marcial no país e pediu à população que não entre em pânico. Zelensky pediu ainda ao mundo a criação de uma "coalizão anti-Putin", a fim de obrigar a Rússia a aceitar a paz. 

Em seu discurso, Putin recorreu à desinformação para justificar a guerra contra o vizinho. "Tomei a decisão de uma operação militar", declarou Putin, após denunciar um "genocídio" contra a parcela da população ucraniana que fala russo e detém a dupla nacionalidade, o que não ocorre na realidade. Putin assegurou que não se trata de uma operação de "ocupação", mas de uma "desmilitarização da Ucrânia", para livrar o país dos "neonazistas" que tomaram o poder. O atual governo ucraniano foi democraticamente eleito em 2019. O presidente ucraniano é judeu e seus avós combateram o nazismo, recordou o próprio chefe de Estado ucraniano. Em sua fala pontuada de ameaças, Putin prometeu represálias a quem interferir na ofensiva. 

Poucos minutos depois do discurso de Putin, bases militares ucranianas e aeroportos foram bombardeados por mísseis e pela força aérea russa. Explosões foram ouvidas na capital, Kiev; outros bombardeios foram reportados em Carcóvia, segunda cidade do país, Odessa, a cidade portuária de Mariupol e localidades da região oeste, próximas da fronteira com países da União Europeia. 

O ministro ucraniano das Relações Exteriores, Dmytro Kuleba, acusou Putin de iniciar uma "invasão em grande escala" contra seu país. "Cidades ucranianas pacíficas estão sob ataque", tuitou Kuleba. "É uma guerra de agressão. A Ucrânia se defenderá e vencerá. O mundo pode e deve parar Putin. Agora é a hora de agir", acrescentou. 

O Ministério da Defesa russo informou a agência TASS que os bombardeios visavam a "infraestrutura militar, instalações de defesa aérea, aeródromos militares e a aviação das forças armadas ucranianas", com "armas de alta precisão". Nas primeiras horas de hostilidades, Moscou declarou ter destruído bases aéreas e instalações da defesa antiaérea ucranianas. O Exército de Kiev afirmou, por sua vez, ter derrubado cinco aviões e um helicóptero russos.

Biden diz que 'mundo responsabilizará Rússia' por ataque à Ucrânia

Os ocidentais condenam por unanimidade a ofensiva russa. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, garantiu que "o mundo responsabilizará a Rússia" pelo ataque à Ucrânia, que ele descreveu como "injustificado". Washington vai propor ao Conselho de Segurança da ONU nesta quinta-feira (24) uma condenação da Rússia por sua "guerra", anunciou a embaixadora americana na ONU, Linda Thomas-Greenfield.

O embaixador da China na ONU defendeu, durante a reunião do Conselho de Segurança, o respeito à carta das Nações Unidas. Nesta manhã, o ministério chinês das Relações Exteriores pediu moderação às partes beligerantes.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, implorou a Moscou, "em nome da humanidade", que cesse o ataques à Ucrânia.  

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, diz que Putin "escolheu o caminho do derramamento de sangue" na Ucrânia.

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, denunciou um "ataque irresponsável e não provocado" da Rússia à Ucrânia e alertou que isso coloca "inúmeras" vidas de civis em risco. 

A Comissão e o Conselho Europeus denunciaram a ofensiva de Moscou e garantiram que a União Europeia (UE) se esforçará para responsabilizar o Kremlin por essa agressão "injustificada".

"Condenamos veementemente o ataque injustificado da Rússia à Ucrânia. Nestas horas sombrias, nossos pensamentos estão com a Ucrânia e as mulheres, homens e crianças inocentes que enfrentam esse ataque não provocado e temem por suas vidas", disseram as presidentes da Comissão, Ursula Von der Leyen, e do Conselho, Charles Michel, em mensagens idênticas publicadas no Twitter. "Vamos responsabilizar o Kremlin" pelas consequências do ataque, alertaram.

França trabalha com aliados para deter a guerra

"A França condena energicamente a decisão da Rússia de fazer a guerra contra a Ucrânia", declarou o presidente francês, Emmanuel Macron, em mensagem no Twitter. Ele pediu a Moscou que "acabe imediatamente com suas operações militares".

"A França se solidariza com a Ucrânia. Está ao lado dos ucranianos e age com seus parceiros e aliados para deter a guerra", acrescentou o presidente francês em dois tuítes.

Diante da situação, "a coordenação entre sócios e alidos será intensa ao logo do dia", destacou o Palácio do Eliseu. Macron participará em uma videoconferência do G7 durante a tarde, antes de viajar a Bruxelas para uma reunião de líderes do bloco.

Cúpula europeia pode aprovar novas sancões

Os líderes da União Europeia realizarão uma cúpula de emergência na tarde desta quinta-feira, convocada antes do anúncio da operação militar russa e do início dos bombardeios. Os membros da UE já concordaram com uma rodada inicial de sanções contra a Rússia depois que Putin reconheceu na segunda-feira os territórios controlados por rebeldes no leste da Ucrânia como independentes.

Na reunião desta quinta-feira, presidida por Michel, espera-se que os países europeus promovam um segundo pacote maior de sanções.

Ontem, ao longo do dia, a Ucrânia mobilizou seus reservistas de 18 a 60 anos, aprovou um estado de emergência e anunciou que havia sido vítima de um novo ataque cibernético maciço. "Quase 200 mil soldados russos" estão posicionados na fronteira com a Ucrânia, disse o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, nesta quarta em um discurso à nação, alertando que a situação poderia levar a "uma grande guerra na Europa".

Com informações da AFP