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Guerra na Ucrânia entra no quarto mês e refugiadas começam a voltar para casa

24/05/2022 06h06

O balanço dos três meses de invasão russa na Ucrânia, iniciada em 24 de fevereiro, e os possíveis cenários para o futuro são os destaques dos principais jornais franceses desta terça-feira (24). Enquanto Le Monde se concentra no balanço numérico da guerra, Le Figaro fala da "desrussificação" do país e Libération foca numa matéria mais íntima, acompanhando a jornada de retorno de uma refugiada ucraniana na França à sua Kiev natal. 

O balanço dos três meses de invasão russa na Ucrânia, iniciada em 24 de fevereiro, e os possíveis cenários para o futuro são os destaques dos principais jornais franceses desta terça-feira (24). Enquanto Le Monde se concentra no balanço numérico da guerra, Le Figaro fala da "desrussificação" do país e Libération foca numa matéria mais íntima, acompanhando a jornada de retorno de uma refugiada ucraniana na França à sua Kiev natal. 

Com a previsão de uma guerra que pode se estender por bastante tempo, mulheres estão voltando para recuperar suas casas abandonadas às pressas, relata Libération

"No início de março, havia apenas cinco pessoas em nosso prédio. Agora, 60 apartamentos de 88 estão ocupados", disse ao jornal uma refugiada que, diante da constatação de que a guerra deve ser longa, resolveu voltar. 

Três meses depois, a vida em Vyshneve, na periferia de Kiev, está voltando a alguma aparência de normalidade. Ao redor dos grandes blocos de concreto marcados por estilhaços, cafés e restaurantes estão lentamente começando a reabrir suas portas.

Alguns pedestres passeiam pelas ruas, apesar do céu tempestuoso. Depois de fugir de combates intensos, a maioria dos moradores voltou para a cidade.

A guerra na Ucrânia já provocou a saída de mais de 6 milhões de pessoas do país. É o maior êxodo em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial.

Sem balanço das perdas

Em três meses, milhares de pessoas, civis e militares, moreram sem que houvesse um balanço quantificado, escreve Le Monde. Só na cidade de Mariupol, no entanto, as autoridades ucranianas falam em 20.000 mortos. 

Em relação aos militares, o Ministério da Defesa ucraniano estima as perdas russas em mais de 29.200 homens. A Ucrânia não forneceu nenhuma indicação de suas próprias perdas militares.

O Kremlin, por sua vez, admitiu "perdas significativas". Fontes ocidentais mencionam algo entre 12.000 a 15.000. Essas perdas em três meses estão próximas às registradas em nove anos pelo exército soviético no Afeganistão, diz o ministro da defesa britânico

Três meses após o início da invasão russa, o conflito já transformou radicalmente a Ucrânia. 

A guerra decidida por Putin para pôr fim à independência ucraniana, que ele considera uma anomalia histórica, ajudou a precipitar o que ele queria evitar, analisa Le Figaro.  

Laços desfeitos

A Ucrânia está prestes a romper os últimos laços, culturais, econômicos, políticos e até pessoais e familiares que ainda uniam os dois países. Mesmo os ucranianos que anteriormente não eram a favor de uma ruptura total com a Rússia, por motivos familiares, culturais ou políticos, se juntaram à resistência ou foram desacreditados.

E se o resultado do conflito permanece incerto, já parece uma guerra de independência da Ucrânia, depois da qual nada será como antes.

"As próximas semanas de guerra serão difíceis", alertou o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky na noite de segunda-feira (23) em seu discurso diário na televisão.