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Brasileiro se impõe como um dos principais produtores de cinema da África

29/05/2022 08h58

Elias Ribeiro nasceu no Brasil, mas é na África do Sul que ele constrói sua carreira de produtor de cinema. Com sua produtora Urucu, ele já fez oito longas-metragens e foi nomeado duas vezes ao Oscar. A RFI encontrou Elias Ribeiro no Festival de Cannes, onde ele é um participante assíduo há 12 anos.

Elias Ribeiro nasceu no Brasil, mas é na África do Sul que ele constrói sua carreira de produtor de cinema. Com sua produtora Urucu, ele já fez oito longas-metragens e foi nomeado duas vezes ao Oscar. A RFI encontrou Elias Ribeiro no Festival de Cannes, onde ele é um participante assíduo há 12 anos.

A agenda de Elias Ribeiro em Cannes é impressionante. Ele acumula laboratórios com produtores emergentes, mesas redondas com jovens cineastas e encontros com produtores e instituições internacionais. O objetivo é um só: abrir espaço para o talento africano e colocá-lo no mapa do cinema internacional. Entre um encontro e outro no festival, o brasileiro encontrou um momento para falar com a RFI.

Elias Ribeiro saiu do Brasil em 1999 já com a cabeça voltada para o cinema. Depois de passar por diversos países europeus, foi em 2010, aos 30 anos, para a África do Sul fazer um mestrado e nunca mais deixou o país.

"Eu me apaixonei pela quantidade de histórias [do país]. Minha experiência internacional me fez virar um peixe grande em uma lagoa pequena. Abri a Urucu, me engajei no mercado internacional, a empresa cresceu e ficou impossível de ir embora", lembra.

Indicado ao Oscar

A Urucu, sua produtora, fundada em 2011, se dedica a desenvolver conteúdos audiovisuais autênticos em diversos países africanos. A empresa já produziu oito longas-metragens e uma coprodução com o Brasil - "Luna" de Cristiano Azzi. A Urucu conseguiu emplacar duas produções na competição pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro: o moçambicano "Comboio de Sal e Açúcar", do diretor brasileiro Licínio Azevedo, radicado em Maputo, e o longa do Lesotho "This is Not a Burial, It's a Resurrection", de Lemohang Jeremiah Mosese.

"Esse projeto ganhou 34 prêmios internacionais. É um trabalho de que a gente tem muito orgulho", conta o produtor.

"This is Not a Burial, It's a Resurrection" foi desenvolvido pela Realness, um instituto cofundado por Elias Ribeiro em 2015 para incrementar a formação de roteiristas africanos. Com esse programa, ele quer compartilhar as histórias da África que o mundo desconhece, mas também da diáspora africana em muitos países, incluindo o Brasil.

África tem muita história para contar

"Na África, havia o clima de produzir coisas que emulassem Hollywood. Eu nunca acreditei nisso. Acho que história que funciona é história que viaja, que são autênticas. E na África tem muita história que a gente ainda não ouviu", revela.

Elias Ribeiro também quer desenvolver, mais do que coproduções norte-sul, parcerias sul-sul entre países que trabalham questões temáticas parecidas.

"Acho que, por falta de recurso financeiro, a gente sempre olha para a Europa. Mas eu acho que a gente tem um nível conceitual. As questões que nossos cineastas estão desenvolvendo são bem parecidas com as do Brasil, Caribe ou América Central, onde existe um contingente grande da diáspora africana. Questões como pós-colonialismo, racialismo, identidade", assegura.

Ele não tem dúvida de que se impõe como um dos principais produtores africanos: "Se você falar de cinema africano, acho que as pessoas vão saber quem é Elias Ribeiro", acredita.

 Por enquanto, o produtor pausou as parcerias com o Brasil, mas espera retomar a coprodução com o cinema brasileiro depois das eleições de outubro.