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França: suicídio de menino perseguido por colegas homofóbicos reabre debate sobre bullying na escola

31/01/2023 17h03

A morte de Lucas, um garoto de 13 anos perseguido por colegas de classe na cidade de Golbey, no leste de França, relança o debate sobre o assédio nas escolas. Alvo de comentários homofóbicos, o adolescente se suicidou no início deste mês. Os quatro menores envolvidos no caso serão julgados.

"O assédio foi o gatilho", desabafou Séverine, 35 anos, mãe de Lucas, em uma entrevista coletiva à imprensa esta semana. Emocionada, ela contou aos jornalistas como o bullying ocorria na escola, levando o adolescente a se suicidar, segundo ela.

"Eu sinto muito por não ter conseguido salvar Lucas. Ninguém conseguiu", diz Séverine, lembrando que, desde o início do ano letivo, em setembro, ela havia alertado a direção da escola que seu filho era alvo de insultos homofóbicos por parte de seus colegas de classe.

Lucas explicou as razões de seu ato em seu diário e, segundo sua mãe, "o assédio era constante". Colegas de classe também confirmam que Lucas era vítima de gozações e insultos preconceituosos. Os autores dos comentários, dois garotos e duas garotas, todos de 13 anos, foram rapidamente identificados e serão julgados em um tribunal para menores, confirmou o procurador Frédéric Nahon.

Assédio escolar é crime na França

O assédio escolar é um delito na França desde o ano passado. Segundo uma lei de março de 2022, os autores estão sujeitos a penas de 10 anos de prisão e € 150.000 de multa. No entanto, por serem menores, se forem condenados os jovens da escola de Lucas cumprirão apenas metade da sanção.  

"Eles ainda são crianças, não lhes desejo mal. Quero que eles reflitam e não façam isso de novo", pondera Séverine. "Não há contas a acertar. A justiça fará o que tiver que fazer, mas não quero punição, são crianças", repetiu a mãe de Lucas, que pretende fazer um trabalho de conscientização sobre a questão do bullying nas escolas e espera que os quatro adolescentes participem das ações para "explicar as consequências do que eles fizeram"

Além disso, a mãe de Lucas insiste que "os professores poderiam e deveriam ter feito algo mais". Segundo ela, medidas disciplinares precisavam ser tomadas mais cedo para evitar o a morte de seu filho. O Ministério da Educação da França abriu um processo administrativo para apurar se houve falha da parte da instituição.

"O suicídio de Lucas é trágico", reagiu nas redes sociais a associação SOS Homofobia. "A luta contra o assédio escolar deve ser urgentemente reforçada. O fato que um estabelecimento de ensino não reaja aos vários avisos é alarmante", insiste a organização de defesa das causas LGBTQIA+.

Uma passeata silenciosa será organizada no domingo (5) em Epinal, próximo da casa de Lucas, em homenagem ao jovem.

Histórias como a de Lucas não são raras. Essa temática está no centro do filme "Close",do cineastaLukas Dhont. Depois de ter sido premiado em Cannes, o longa vai representar a Bélgica no Oscar este ano.