Apesar da pressão diplomática, França teve de esperar por libertação de menores reféns do Hamas

A libertação de três menores franco-israelenses sequestrados pelo Hamas em 7 de outubro é analisada pela imprensa francesa nesta terça-feira (28). O portal de notícias France Info relata bastidores da pressão diplomática exercida por Paris para obter a liberação de seus reféns, que não eram uma prioridade para os países que definem os rumos da guerra: Estados Unidos, Israel e o mediador Catar, que acolhe a direção política do Hamas.

Para obter essas libertações, o presidente Emmanuel Macron enviou em meados de novembro ao Oriente Médio o ministro das Forças Armadas, Sébastien Lecornu. Em Doha, primeira etapa da viagem, Lecornu se reuniu com Mohammed ben Abderrahmane Al-Thani, primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do emirado.

Al-Thani, que negocia com o Hamas, por um lado, e com Israel, por outro, forneceu informações sobre os reféns franceses e, em particular, sobre os três menores agora libertados, relata o portal France Info. Nessas conversas, o emissário francês percebeu que os menores e as mulheres teriam prioridade.

Depois do Catar, Lecornu se encontrou com várias famílias de reféns franceses em Tel Aviv para informá-las sobre as conversas em Doha. Em seguida, o emissário de Macron manteve um encontro de várias horas com os ministros da Defesa, de Assuntos Estratégicos e também com o diretor de Inteligência interior de Israel. Naquele momento, os israelenses ainda estavam divididos sobre o melhor momento para aceitar uma trégua nos combates. A França entendeu que teria de esperar, pois a bola estava no campo dos Estados Unidos, apesar das boas relações que Paris mantém com o Catar.

"Livres!"  

Apesar da demora, a libertação dos três menores franco-israelenses no quarto dia da trégua é festejada no Palácio do Eliseu e pela imprensa local. O jornal Libération chegou às bancas com a manchete "Livres!", impressa sobre uma foto dos três adolescentes de mãos dadas no momento em que chegaram a Israel na noite de segunda-feira (27). Os irmãos Eres e Sahar Kalderon, de 12 e 16 anos, e Eitan Yahalomi, de 12 anos, são os primeiros reféns com cidadania francesa a serem libertados, entre os oito desaparecidos.

O Libé destaca que Eres e Sahar foram sequestrados no kibutz de Niz Oz, a apenas alguns quilômetros da Faixa de Gaza. O pai dos dois adolescentes, Ofer Kalderon, também foi capturado pelo Hamas em 7 de outubro e continuaria no cativeiro na Faixa de Gaza. A esposa, Hadas, conseguiu se esconder em outra casa da localidade no momento do ataque. Nas últimas semanas, "ela não vivia mais, movendo o céu e a terra para reencontrar os filhos e o marido", afirma a reportagem.

Como o pai, Ohad Yahalomi, o menino Eitan foi levado em uma moto por um membro do Hamas também no kibutz de Niz Oz. Junto com a mãe Batsheva e suas duas irmãs, o garoto e o pai se refugiaram em um abrigo no momento do ataque, mas a porta do local não trancava. Todos foram levados pelos terroristas, mas antes de entrarem no enclave palestino, soldados israelenses conseguiram intervir e libertar a mulher e as duas meninas.

"Fim do calvário"

O jornal Le Parisien também estampa em sua capa uma foto dos três adolescentes, com a manchete: "O fim do calvário". Após 52 dias de cativeiro, "a libertação é um alívio imenso para as famílias", diz a matéria. O mesmo sentimento é expressado pelo governo francês, que batalhou nas últimas semanas para colocar nomes de cidadãos do país na lista dos reféns a serem libertados do cativeiro. O presidente Emmanuel Macron se declarou "extremamente feliz" com a notícia.

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O diário destaca que entre os cinco cidadãos franceses que seguem desaparecidos, a maior preocupação é com Mia Schem, de 21 anos, Eliya Toledano, de 28 anos, e Orion Hernandez-Radoux, de 32 anos. Desde 7 de outubro, nenhum contato pôde ser estabelecido com eles. 

Ajuda humanitária

A trégua que permitiu a nova libertação de 11 reféns em troca de 33 prisioneiros palestinos deveria ter sido encerrada na segunda-feira. O jornal Le Figaro salienta que a pausa nos combates foi prolongada por mais dois dias devido, segundo o diário, à revolta das famílias contra o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, e também à pressão internacional, principalmente dos Estados Unidos.

O diário também destaca que o acordo alcançado entre Israel e o grupo Hamas permite ainda a entrada de centenas de caminhões de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, "sob bloqueio e devastada por sete semanas de bombardeios israelenses". A situação dos civis no enclave palestino é "perigosa" e as necessidades são "sem precedentes", afirma a Agência da ONU de Assistência aos Refugiados Palestinos.

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