ONG pressiona Congresso dos EUA a votar expulsão do deputado George Santos no retorno do recesso

O pedido de destituição do mandato do deputado americano George Santos, nascido no Brasil, pode ser votado até quarta-feira (29) no Congresso dos EUA. A solicitação oficial foi feita por um colega de partido, o deputado republicano Michael Guest, representante do estado do Mississippi. No fim de outubro, Santos foi formalmente acusado de 23 crimes, chegou a ser preso e teve que pagar fiança para responder em liberdade aos processos.

Luciana Rosa, correspondente da RFI em Nova York

A organização MoveOn Political Action planeja receber os deputados na volta do recesso do feriado de Ação de Graças (Thanksgiving Day), na manhã desta terça-feira (28), com um boneco inflável de 4,5 metros de George Santos, exigindo a expulsão do parlamentar.

O republicano é acusado de corrupção, após o Comitê de Ética do Congresso reunir 56 páginas de evidências que demonstrariam que ele teria usado de forma indevida fundos arrecadados durante sua campanha eleitoral. O dinheiro teria sido empregado em tratamentos estéticos, como aplicação de Botox, compra de itens de luxo, viagens, além de pagamentos ao site de conteúdo erótico Only Fans. 

Filho de imigrantes brasileiros, Santos é conhecido nos Estados Unidos e no Brasil como um mentiroso contumaz. Esta é a terceira vez que ele enfrenta um pedido de cassação. Nas duas ocasiões anteriores, uma conduzida por democratas e a outra impulsionada por republicanos de Nova York, não foi obtido o número de votos necessários - dois terços do plenário, ou seja, 290 votos - para que ele fosse expulso da Câmara. Mas as recentes declarações públicas feitas por seus colegas do Partido Republicano apontam que, dessa vez, o resultado poderia ser diferente.

Apesar do histórico de outras acusações, como inconsistências quanto à escolaridade e à carreira de Santos, incluindo falsidade ideológica, essa é a primeira vez que foi possível reunir elementos que o enquadram em crimes federais. O Comitê de Ética da Câmara conseguiu obter provas de que Santos usou fundos eleitorais para fins pessoais, como compras em lojas de luxo e sites de conteúdo adulto. Ele teria utilizado relatórios falsos ou incompletos ao apresentar os balanços de campanha. 

Embora o deputado pelo estado de Nova York tenha sobrevivido a duas votações de expulsão, muitos dos seus colegas que anteriormente se opunham à moção, agora dizem apoiar sua saída. A mudança de postura tem relação com a contundência das conclusões da investigação, que custou meses de trabalho ao Comitê de Ética e tem os resultados reunidos em 56 páginas apresentadas em forma de relatório no início deste mês.

Deputados rejeitaram pedidos anteriores para não abrir precedente

No início de novembro, George Santos conseguiu sair ileso de um pedido de seus colegas republicanos de Nova York para que fosse destituído do cargo. Muitos daqueles que votaram contra a expulsão, tanto democratas quanto republicanos, argumentaram que Santos merecia um processo justo e que era mais conveniente esperar que o Comitê de Ética concluísse a sua investigação.

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A verdadeira razão, no entanto, seria o risco de abrir um precedente para que qualquer outro congressista, de ambos os lados, fosse expulso com base em acusações feitas por outros membros da Câmara.

Santos disse acreditar que será expulso

Irritado com as conclusões do relatório, o deputado usou as redes sociais para destinar palavras pouco carinhosas a seus colegas de plenário em uma live feita na última sexta-feira (24). George Santos insistiu que "não irá a lugar nenhum", afirmando que não pretende renunciar. Por outro lado, ele reconheceu que o seu tempo como membro do Congresso poderia estar chegando ao fim.

"Eu sei que serei expulso quando esta resolução de expulsão for aprovada. Já fiz as contas várias vezes e não parece muito bom", disse George Santos durante a live feita na rede social X, antigo Twitter.

Apesar de não cogitar a renúncia, Santos deixou claro pela primeira vez que não pretende tentar a reeleição ao Congresso em 2024.

George Santos adotou um tom de vítima durante a transmissão ao vivo de três horas de duração, na qual se comparou à "Maria Madalena do Congresso dos Estados Unidos".

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Apenas cinco deputados perderam seus mandatos no passado

A expulsão de um congressista é algo que só aconteceu cinco vezes na história dos Estados Unidos, três delas durante a Guerra Civil e outras duas já durante a era moderna.

Caso George Santos seja expulso, seria necessária uma eleição especial para ocupar sua cadeira, reservada para um representante de Long Island. A lei de Nova York estabelece que a governadora Kathy Hochul deve emitir uma proclamação, no prazo de 10 dias após o posto ficar vacante, para declarar uma eleição especial que deveria ocorrer no prazo de, no máximo, 80 dias após a ação.

Com uma maioria apertada na Câmara, a expulsão de George Santos colocaria em risco o controle da Casa pelos republicanos.

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