Antes de chegar à COP28, Lula defende investimentos do Catar em petróleo no Brasil

Logo antes de desembarcar em Dubai para participar da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP28), principal encontro anual dos líderes mundiais para discutir a emergência climática, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva saudou o potencial de investimentos do Catar "na exploração de petróleo" no Brasil.

Lúcia Müzell, da RFI em Paris

Um dos principais desafios do evento será debater um calendário para a queda da produção e o consumo de combustíveis fósseis no mundo, a maior fonte de emissões de gases de efeito estufa que provocam o aquecimento do planeta.

Nesta quinta-feira (30), Lula deixou o Catar, onde se reuniu com o emir Tamim bin Hamad Al-Thani. Ao comentar o encontro, antes de embarcar para os Emirados Árabes Unidos, o presidente brasileiro celebrou que a relação comercial entre Catar e Brasil esteja no patamar de US$ 1,6 bilhão.

"[E tem] potencial de muito investimento do Catar, sobretudo na questão de novas pesquisas, a exploração de petróleo, no reflorestamento do país, a manutenção de uma agricultura de baixo carbono", citou o petista em conversa com jornalistas, cuja gravação a RFI teve acesso. "Tem muito interesse, sobretudo nesse instante em que o Brasil está fazendo uma transição energética muito forte. Eu acho que ainda vai ter muito interesse."

'Planeta está avisando' 

O Catar é o 14° maior produtor mundial de petróleo e o Brasil - que realiza pesquisas de prospecção de novas reservas do óleo na sua margem equatorial - é o nono. Este ano, a Conferência do Clima é sediada em outro grande produtor, os Emirados Árabes Unidos, o que gera ceticismo quanto ao avanço das negociações multilaterais sobre o futuro da exploração de combustíveis fósseis, responsáveis por dois terços das emissões globais de CO2 e outros gases de efeito estufa. A COP28 começa nesta quinta-feira e se estende até o dia 12 de dezembro.

Logo depois de comentar o encontro com o emir do Catar, Lula ressaltou que "é preciso que as lideranças políticas do mundo tomem decisões mais corajosas e mais rápidas" para combater a emergência climática. Ele disse "não acreditar" que os países ricos aumentarão o financiamento de combate às mudanças do clima nos países em desenvolvimento.

"O Acordo de Paris não é cumprido quase em lugar nenhum do mundo", observou. "Acho que a discussão que vai se dar na COP pode ainda não ser decisiva, mas eu acho que a gente vai ter que mudar o jogo para que as pessoas aprendam que o planeta não está brincando. O planeta está avisando: cuidem de mim, porque senão são vocês que vão perder", afirmou o presidente brasileiro. "O ser humano não pode continuar sendo irracional, ser o único animal vivo a destruir seu habitar natural."

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Brasileiros em Gaza

Lula também destacou ter aproveitado o encontro com o emir do Catar para agradecê-lo pela ajuda na liberação de brasileiros na Faixa de Gaza. A atuação do país árabe tem sido crucial nas negociações para a libertação de reféns mantidos pelo grupo Hamas e a entrega de ajuda humanitária internacional ao território palestino.

"Ainda tem mais brasileiros lá ainda. [O Catar tem um papel importante] na liberação de um refém que ainda pode ser liberado por esses dias, e eu vim agradecer a ele", relatou o presidente.

Em Dubai, Lula terá uma intensa agenda de compromissos oficiais a partir desta sexta-feira (1°), entre a participação na COP28 e reuniões bilaterais. Um dos encontros será com o presidente de Israel, Isaac Herzog.

O brasileiro, que deve fazer um discurso na sessão plenária da conferência à tarde,  também terá conversas com o secretário-geral da ONU, António Guterres, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e os chefes de Governo do Reino Unido, Rishi Sunak, e da Espanha, Pedro Sanchez, entre outros.

Os encontros seguem no sábado (2), com destaque para a reunião com o G77+ China, grupo que reúne países emergentes e em desenvolvimento, e o almoço com o francês Emmanuel Macron. Lula deixa Dubai na manhã de domingo (3), rumo à Alemanha.

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