Israel e Hamas retomam combates na Faixa de Gaza e Unicef denuncia "massacre de crianças"

Os combates foram retomados na Faixa de Gaza nesta sexta-feira (1) após o fim da trégua entre Israel e o Hamas, que entrou em vigor há uma semana. Segundo o Ministério da Saúde do movimento extremista, os ataques de hoje já deixaram pelo menos 32 mortos, incluindo crianças.

Nesta sexta-feira (1), o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, acusou o Hamas de desrespeitar o cessar-fogo, lançando tiros de foguetes contra Israel. O grupo também estaria se recusando a libertar todas as reféns mulheres, o que está previsto no acordo de trégua, afirma o premiê.

A trégua, negociada pelo Catar, Egito e Estados Unidos, começou em 24 de novembro e foi prorrogada duas vezes, permitindo a troca de dezenas de reféns mantidos em Gaza contra centenas de detidos palestinos. A pausa também facilitou a entrada de ajuda humanitária em Gaza. 

"O governo israelense está determinado a atingir seus objetivos, libertar nossos reféns e eliminar o Hamas. O objetivo é que Gaza nunca mais represente uma ameaça para os habitantes de Israel", disse o gabinete do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, em um comunicado.

O Hamas, que não assumiu a responsabilidade pelo lançamento dos foguetes, reagiu à declaração do governo israelense. "O que Israel não recebeu nos 50 dias antes da trégua, não obterá continuando sua agressão, após a trégua", disse Ezzat el Rachk, membro do Hamas, no site do movimento.

Paralelamente, as Brigadas Al Qods, braço armado da Jihad Islâmica, disseram ter atacado cidades israelenses na manhã desta sexta-feira, em retaliação "aos crimes cometidos pela polícia israelense" contra o povo palestino. 

"Guerra contra crianças"

Antes de retomar os ataques, nesta sexta-feira, os militares israelenses enviaram mensagens aos telefones dos moradores de alguns bairros da cidade de Gaza, no norte do país, e de vilarejos na divisa com Israel, no sul, pedindo que "deixassem imediatamente" o local.

Mas, muitos moradores não tiveram tempo de fugir e a retomada dos combates já começa a repercutir nos hospitais. Para James Elder, porta-voz do Unicef que postou um vídeo gravado em um hospital na Faixa de Gaza, "esta é uma guerra contra as crianças".

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"Já podemos ouvir bombardeios e um ataque atingiu uma área a cerca de 50 metros daqui", disse ele no vídeo, que foi postado uma hora depois que a trégua expirou, no início da manhã.

"Este hospital simplesmente não pode aceitar mais crianças feridas. Tinha crianças dormindo, que acordaram quando uma bomba caiu a 50 metros daqui", acrescentou. "Aqueles que podem, mas não fazem nada, estão autorizando a morte de crianças", disse.

Segundo ele, que conversou com jornalistas em Genebra de Gaza, por vídeo, "a falta de ação pode ser comparada a uma autorização ao massacre de crianças". De acordo com Elder, "é irresponsável imaginar que novos ataques em Gaza vão ter outras consequências além de um massacre", em alusão ao imobilismo internacional.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, também lamentou o fim da trégua e pediu esforços coletivos para retomar o cessar-fogo.

Segundo o canal Al Jazeera, houve várias mortes e feridos nos ataques israelenses. O exército confirmou que sua força aérea bombardeou alvos do Hamas na Faixa de Gaza. Imagens que circularam nas redes sociais mostram grandes colunas de fumaça preta subindo acima do campo de refugiados de Djabalia.

105 reféns libertados

Com a libertação de oito novos reféns, incluindo a franco-israelense Mia Schem, em troca de 30 prisioneiros palestinos, sobe para 105 o número de pessoas livres, dos 240 capturados durante a ofensiva do Hamas, em 7 de outubro. Israel exigiu a libertação de pelo menos 10 por dia para prolongar a trégua.

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Até agora, mais de 15 mil pessoas morreram no enclave, segundo as autoridades locais lideradas pelo Hamas, cujo registro é considerado confiável pela ONU. Quando a trégua entrou em vigor na última sexta-feira, Israel preparava-se para mudar parte da sua ofensiva para o sul da Faixa de Gaza, depois de concentrar seus esforços na parte norte do território durante as primeiras sete semanas do conflito.

Blinken pede fim de "deslocamento em massa"

O fim da trégua coincide com a visita do secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, que está na região. Ele não comentou a situação na sexta-feira, quando ele deveria voar para os Emirados Árabes Unidos.

Na quinta-feira, Blinken disse que disse a Benjamin Netanyahu que Israel não poderia "promover" no sul de Gaza o deslocamento maciço da população provocado pelos ataques israelenses no norte do território.

"Discutimos os detalhes dos planos israelenses e sublinhei que a perda maciça de vidas civis e o deslocamento que vimos no norte de Gaza não é não pode ser repetido no Sul", disse Antony Blinken ao jornalistas em Tel Aviv. 

(Com informações da AFP)

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