Olaf Scholz condena ataque com faca em Paris que matou turista alemão

O chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, disse no domingo (3) que estava "chocado", após o ataque com faca perto da Torre Eiffel, no qual um turista alemão-filipino foi morto. O agressor tinha antecedentes por islamismo radical e sofria de distúrbios psiquiátricos. Três pessoas próximas a ele estão sob custódia policial. 

 

"Estou chocado com o ataque terrorista em Paris que matou um alemão e feriu várias pessoas", escreveu Scholz na rede social X. "Nossos pensamentos estão com os feridos, as famílias e os amigos das vítimas. Isto mais uma vez destaca a razão pela qual devemos lutar contra o ódio e o terror", acrescentou.

As autoridades alemãs têm manifestado, desde o início da guerra na Faixa de Gaza,  receio de que o conflito entre Israel e o Hamas seja "importado" para seu país, . Os serviços secretos alemães alertaram, no final de novembro, para um "perigo real", que "não era tão elevado há muito tempo", de ataques em seu solo.

Prisões

Três "pessoas próximas" ao agressor franco-iraniano, Armand Rajabpour-Miyandoab, de 26 anos, estão atualmente sob custódia policial disse a Promotoria Nacional Antiterrorista no domingo.

O agressor, fichado pela polícia por islamismo radical e que sofria de distúrbios psiquiátricos, continua sob custódia da polícia desde sua detenção, na noite de sábado. Uma investigação foi aberta por assassinato relacionado com um ato terrorista. Rajabpour-Miyandoab atacou duas outras pessoas com um martelo, um britânico de 66 anos e um francês de 60 anos.

Nascido em França, filho de pais refugiados iranianos, residente em Essonne, 50 km ao sul de Paris, o homem de 26 anos já tinha sido preso em 2016 por um ataque planejado em La Défense, um distrito comercial a oeste da capital francesa.

Estudante de biologia, ele traçou o plano de se juntar ao grupo Estado Islâmico na zona Iraque-Síria e manteve contatos com "três terroristas reincidentes", segundo o tribunal de Paris. 

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Rajabpour-Miyandoab foi condenado, em 2016 a cinco anos de prisão, um dos quais foi suspenso. Ele foi libertado em 2020, após quatro anos de detenção, segundo fontes próximas do caso. 

Devido a distúrbios psiquiátricos, ele foi submetido a tratamento médico durante toda a sua detenção e após sua libertação, quando foi colocado sob supervisão judicial, acompanhada de medidas destinadas a prevenir atos de terrorismo.

"Os primeiros meses foram encorajadores", ele parecia ter "se desligado da religião" após a sua libertação, segundo uma fonte dos serviços de segurança.

Sábado, pouco depois das 21h00, perto da ponte Bir Hakeim que atravessa o Sena, a alguns metros da Torre Eiffel, ele gritou várias vezes "Allah akbar", segundo o ministro do Interior francês, Gérald Darmanin. 

"Desradicalização"

Rajabpour-Miyandoab se interessou pelo islã em 2014 e converteu-se depois de conhecer um jihadista, Maximilien Thibaut, em 2015, através de um site de grafite, de acordo com o tribunal de Paris.

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"A sua necessidade de pontos de referência" acelerou a radicalização, de acordo com um psicólogo que o avaliou e acompanhou, em 2017, durante sua prisão. "Como o Estado Islâmico deu a ele, em particular, critérios diretivos para o seu modo de vida", ele acabou por se tornar "um promotor da ideologia jihadista" em 2015.

Quando foi preso em 2016, ele afirmou: "me radicalizei e me 'autodesradicalizei'". "Não sou mais muçulmano, mas ainda estou interessado no que está acontecendo lá", disse ele se referindo aos países desta religião. 

Mas para o tribunal, este processo de "desradicalização" pareceu "frágil", já que em junho de 2016, o jovem fazia pesquisas online sobre "bombas de fósforo" e sobre Adel Kermiche, que assassinou um padre em Saint-Etienne-du-Rouvray, cidade a 130 km ao norte de Paris.

 Confrontado com suas contradições, ele admitiu, em 2016, ainda ter "pensamentos sombrios", afirmando que "o ataque de Nice não o desagradou", e sentiu que "precisava de acompanhamento". Em um novo julgamento em 2018, sua mãe chamou-o de "manipulado" e sua irmã mais velha disse que eles sofria de uma "timidez mórbida".

Recaídas

Em 2020, segundo a revista L'Obs, ele se apresentou na delegacia após o assassinato do professor Samuel Paty, para denunciar que havia trocado mensagens com o agressor Abdoullakh Anzorov nas redes sociais duas semanas antes. Mas não foi processado, após um período sob custódia policial, durante o qual alegou ter se tornado "anti-islâmico radical ou não radical" depois de seu período na prisão.

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"Ele saiu da detenção com uma espécie de ódio pelo islã por causa do que viveu na prisão", declarou sua mãe nesta ocasião, de acordo com L'Obs. "Acima de tudo, ele se sente 100% francês, demonstrou amor pela França", insistiu.

No entanto, o jovem com uma personalidade "muito facilmente influenciável", "muito instável" voltou a gerar preocupações desde o primeiro semestre de 2022, segundo uma fonte dos serviços de segurança franceses.

Após a sua detenção no sábado à noite, ele disse à polícia "que estava irritado com o que estava acontecendo em Gaza, que a França seria cúmplice do que Israel estava fazendo. Ele teria dito que estava cansado de ver muçulmanos morrerem",  disse o Ministro do Interior.

"As notícias recentes podem ter feito com que ele se descontrolasse", avalia a fonte dos serviços de segurança.

Os investigadores também vão analisar seu acompanhamento médico.    Segundo outra fonte próxima dos Serviços Secretos franceses, 20% dos cerca de 5.000 monitorados por radicalização na França sofrem de distúrbios psiquiátricos.

Armand Rajabpour-Miyandoab também teve uma "atividade digital significativa". Pouco antes do seu ataque, de forma "quase concomitante", foi publicado nas redes sociais um vídeo reivindicando seu ato, no qual menciona em particular "as notícias, o governo e o assassinato de muçulmanos inocentes", de acordo com a fonte dos serviços de segurança. 

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(Com informações da AFP)

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