Guerra na Faixa de Gaza completa dois meses: "um terremoto com réplicas sem fim"

A imprensa francesa desta quinta-feira (7) lembra os dois meses do início da guerra entre Israel e o grupo Hamas. A nova fase do conflito, uma das mais sangrentas até hoje, começou no último 7 de outubro, com o ataque do movimento islâmico contra o território israelense, e a retaliação de Tel Aviv devasta a Faixa de Gaza desde então. 

"A guerra que mudou tudo em Israel" é uma das manchetes do jornal Le Figaro que descreve o 7 de outubro de 2023 como "um terremoto com réplicas sem fim". O ataque do grupo Hamas deixou 1.200 mortos, mais da metade dos 240 reféns sequestrados seguem em cativeiro e não resumem o trauma dos israelenses, afirma a matéria, lembrando os "estupros, torturas, famílias dizimadas e infâncias interrompidas" pelas violências.

O jornal Le Parisien destaca que o aniversário de dois meses da guerra cai em pleno início da festa judaica do Hanukkah, também conhecida como a festa das luzes, que celebra a luta dos judeus contra seus opressores. A reportagem do diário visitou membros da comunidade em Paris e em Lyon, no centro-leste da França, que relataram o medo dos judeus diante do aumento de atos antissemitas desde o início da guerra no Oriente Médio. 

Testemunhos relatam o cotidiano de temor que vive a comunidade judaica francesa, como o de Sarah, uma mãe que se viu obrigada a explicar para o filho de 10 anos que "há pessoas que não gostam da gente". Outros judeus contaram ao Le Parisien que, nos últimos dois meses passaram a ocultar todos os símbolos ou detalhes de seu cotidiano que possam demonstrar sua religião. "Até quando deveremos tolerar esse antissemitismo que não tem nada de ordinário, besta imunda que vive ainda e acorda em qualquer ocasião?", questiona o editorial do diário.

Catástrofe humanitária

Já o jornal Libération foca na situação na Faixa de Gaza, onde a catástrofe humanitária piora a cada dia, diz o título de uma matéria. O texto destaca que centenas de milhares de pessoas se aglomeram no sul do enclave por ordem de Israel, que concentrava até há poucos dias, suas operações no norte do território. "Segundo as Nações Unidas, 1,9 milhão de pessoas tiveram que deixar suas casas desde 7 de outubro", salienta a matéria.

Com a ofensiva descendo para os arredores de Khan Yunis, maior cidade do sul da Faixa de Gaza, Israel ordenou a população a migrar para a zona costeira de Al-Mawassi, um território de apenas 14 quilômetros quadrados, sem hospital ou estrutura adaptada para receber esse imenso fluxo de pessoas, afirma a matéria. O resultado, segundo Libé, é que os palestinos estão se instalando em escolas ou abrigos já lotados, ou vivendo nas ruas, enfrentando o frio e as bombas. 

O jornal La Croix traz uma matéria explicando por que Israel concentra seus ataques em Khan Yunis. Segundo o diário, as Forças Armadas israelenses entraram na terceira etapa de sua ofensiva contra o Hamas. No local, Tel Aviv está determinada a encontrar Yahya Sinwar, chefe do grupo armado em Gaza, e Mohammed Deif, que dirige o braço militar do movimento. "Ambos são considerados como os mentores do ataque do 7 de outubro", ressalta La Croix. 

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