Diretor da conceituada Sciences Po Paris pede "afastamento temporário" após acusação de violência doméstica

O diretor da conceituada instituição de ensino Sciences Po Paris, Mathias Vicherat, recentemente acusado de violência doméstica, propôs na segunda-feira (11) "seu afastamento temporário". A decisão não satisfaz alguns estudantes, que exigem sua demissão. A instituição acumula escândalos há cerca de 10 anos envolvendo seus presidentes e diretores. 

Em uma mensagem dirigida a toda a escola e enviada à AFP, Mathias Vicherat explica que "propôs à presidente da Fundação Nacional de Ciências Políticas (FNSP), Laurence Bertrand Dorléac, seu afastamento temporário de suas funções" de acordo com um calendário e uma duração definidas pela instituição.

Em outra mensagem interna enviada à comunidade Sciences Po Paris, Dorléac, disse que "tomou conhecimento" da mensagem de Vicherat e vai "propor" as "maneiras e as datas para o afastamento" durante reuniões importantes que acontecerão na instituição esta semana.

Vicherat e a sua ex-companheira, Anissa Bonnefont, que se acusaram mutuamente de violência doméstica, ficaram sob custódia policial em 3 de dezembro e libertados no dia seguinte. Uma investigação preliminar foi ordenada pelo Ministério Público de Paris.

Na mensagem enviada segunda-feira à comunidade Sciences Po Paris, Vicherat, de 45 anos, repete que "contesta os atos de violência que têm sido noticiados pela imprensa e nas redes sociais".

"Nunca e em hipótese alguma cometi tais atos. Quero ressaltar que ao final da nossa custódia policial não foi apresentada nenhuma denúncia. Nenhuma medida de controle judicial ou de afastamento foi tomada", continua, reiterando comentários feitos anteriormente.

Pouco depois de chegar à direção da Science Po Paris no final de 2021, ele declarou que as violências sexual e de gênero seriam "prioridade absoluta".

"As minhas convicções, os meus compromissos, toda a minha ação pública, particularmente na Sciences Po, testemunham o meu compromisso na luta contra todas as formas de violência", afirma o diretor na mensagem.   

Estudantes pedem demissão   

Dezenas de estudantes da Sciences Po ocuparam na semana passada o edifício histórico deste estabelecimento de ensino superior, para exigir a demissão do diretor.

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Na segunda-feira, num comunicado, os estudantes da União Estudantil escreveram: "Mathias Vicherat não poderia, dada a gravidade das acusações feitas contra ele, permanecer decentemente à frente da escola".

"Embora saudemos naturalmente esta decisão, ela não pode resolver a grande crise que a instituição atravessa atualmente. Agora, Mathias Vicherat deve dar o exemplo e assumir suas responsabilidades apresentando sua demissão", acrescentam.

Apresentada como formadora das elites francesas, a Sciences Po Paris acumula escândalos há cerca de 10 anos, sem que seu prestígio acadêmico fosse manchado, por enquanto.

Mathias Vicherat assumiu a chefia da Sciences Po Paris em novembro de 2021, substituindo Frédéric Mion, que foi forçado a renunciar em fevereiro daquele ano por ter ocultado suspeitas de incesto contra o cientista político Olivier Duhamel.

Duhamel era então presidente da FNSP que supervisiona a Sciences Po Paris.

Na esteira do escândalo Duhamel, surgiu um movimento de denúncia da violência sexual nos Institutos de Estudos Políticos (IEP).

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A Sciences Po Paris forma cerca de 15.000 alunos, metade dos quais são estudantes internacionais e 25% bolsistas.

(Com informações da AFP)

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