Transportes: um quebra-cabeça para os organizadores dos Jogos Olímpicos Paris 2024

Desde a sua candidatura para os Jogos Olímpicos de 2024, Paris apostou no transporte como diferencial, traçando metas ambiciosas para o deslocamento de atletas, juízes, pessoas credenciadas e o público. A ideia é inovar com soluções de baixo carbono e contar com a rede de trens, metrôs e ônibus da capital, já saturada, em alguns trajetos e horários. Apesar das dificuldades, o Comitê Organizador mantém o propósito de perturbar o mínimo possível os deslocamentos habituais dos moradores.

Maria Paula Carvalho, da RFI

"Os objetivos são ambiciosos: oferecer uma oferta de transporte confiável aos atletas, espectadores e a todos os envolvidos na realização dos Jogos, como árbitros e a imprensa, de forma ecológica e sem atrapalhar o dia a dia dos parisienses", explica Pierre Cuneo, diretor de Mobilidade e Transporte dos Jogos Olímpicos Paris 2024.   

"Limitar o máximo possível o impacto dos Jogos Olímpicos sobre a mobilidade cotidiana, para que os franceses que precisam possam continuar se deslocando durante os Jogos. Privilegiaremos modos de transporte de baixo carbono. Nosso objetivo é 100% dos espectadores em transporte público, reduzir os carros credenciados e oferecer um transporte adaptado a pessoas com mobilidade reduzida", acrescenta.  

"Nós não temos linhas de transporte construídas especialmente para os Jogos, diferentemente de Olimpíadas anteriores, mesmo que tiremos proveito do prolongamento da linha 14 para o Norte direção Saint-Denis e para a Vila Olimpica e ao sul para o Aeroporto de Orly, um ponto de chegada fundamental para espectadores e pessoas credenciadas", observa Cuneo. 

O diretor-delegado dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Paris 2024 junto à RATP, a empresa que administra o transporte na capital francesa, diz esperar até 1,5 milhão de passageiros por dia durante os Jogos.  

"Tem também o recrutamento. Tudo foi antecipado com um plano de recrutamento inédito. Em 2023, criamos 4.900 empregos com carteira assinada, quase duas vezes mais do que um ano normal", calcula Edgar See. "Mais 2700 motoristas de ônibus, 280 condutores de metrô, e vamos continuar nesse ritmo em 2024, contratando agentes para estações e manutenção que deverão estar operacionais", diz. "O ponto mais importante será a abertura do prolongamento da linha 14 até Saint-Denis e Pleyel ao norte e ao aeroporto de Orly, ao Sul, em meados de 2025", conclui.  

Jogos de verão

Os Jogos Olímpicos de Paris começam no dia 26 de julho, alto verão no Hemisfério Norte. Época em que geralmente a oferta de transporte diminui em razão das férias. Dessa vez, será diferente. "A frequência de ônibus, tramways e trens aumentará em relação a um verão normal, quando a oferta diminui. E apostamos nos chamados transportes ativos, como a bicicleta e a caminhada", destaca Cuneo.

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Para os espectadores, o importante é conseguir chegar aos locais de competição a tempo e se deslocar entre eles. O Comitê Organizador alerta que não adianta levar em conta o tempo desses trajetos hoje, e que o melhor é se basear num sistema de cálculo de rotas proposto por Paris 2024 em seu site. Um aplicativo para o evento também será oferecido. 

Ivoa Alavoine, encarregada dos Jogos Olímpicos na prefeitura de Paris, reforça que o planejamento será essencial. "A cidade também cria condições para que o parisiense e os profissionais que trabalham e têm que atravessar Paris possam antecipar a organização dos seus deslocamentos durante os Jogos, com um dispositivo completo de informações através de ferramentas digitais da prefeitura, explicações na internet e com boletins informativos para planejar essas viagens".  

Ela explica que haverá 5,3 mil voluntários mobilizados pela cidade de Paris para guiar e acompanhar os expectadores e visitantes nos locais de competição. "Teremos um plano de sinalização para guiar o público a pé ou de bicicleta até os locais de competição, em integração com o transporte público para descobrir e aproveitar os locais de festividades na cidade", completa.  

Cartões postais olímpicos

A organização dos Jogos Olímpicos de Paris vai impor mudanças em áreas importantes, que receberão competições. Entre elas, cartões postais como a torre Eiffel, que receberá o estádio de vôlei de praia, e a praça da Concórdia, palco dos esportes urbanos. 

O plano de trânsito apresentado para o período dos Jogos causou preocupação entre os moradores e certos comerciantes. Um sistema de quatro zonas foi apresentado pelo chefe de polícia, Laurent Nuñez, o Comitê Organizador e a cidade de Paris. O projeto prevê inúmeras restrições na circulação de veículos nas zonas mais próximas dos locais de competição, exceto para pessoas credenciadas. 

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Numa cidade que por si só já é uma atração, os espectadores de Paris 2024 são convidados a pedalar e caminhar, reforça Nicolas Rolland, diretor de Meio Ambiente, Água e Clima da metrópole Grande Paris. "São 215 quilômetros de ciclovias de Paris para o subúrbio ou vice-versa e entre as cidades da região metropolitana, com € 108 milhões de financiamento. O balanço feito recentemente mostra que 60% das obras estão prontas ou em andamento para os deslocamentos de bicileta", diz  

"Vamos ter um estacionamento para bicicletas de mais de 1.500 vagas nas proximidades do Stade de France e do Centro Aquático Olímpico (CAO).  Vamos oferecer um serviço de aluguel de bicicletas e de serviços para os ciclistas nos locais olímpicos em Paris e nas regiões de Hauts de Seine e Seine Saint-Denis e estações de velib temporárias, como fizemos para a Copa do Mundo de Rugby", afirma.     

Todas essas adaptações são um quebra-cabeça para a organização e vão ter impacto no bolso dos visitantes. O aluguel de bicicletas elétricas entre julho e agosto terá uma tarifa acima do usual. 

A tarifa do metrô quase duplicará. O bilhete unitário, que custa atualmente 2,10 € (11,24 R$), passará a custar 4 € (R$ 21,40), de acordo com a empresa da Île-de-France Mobilités (IDFM).

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